Não vingou a CPI das Obras da Copa do Mundo, instalada há um mês e meio na Assembleia Legislativa para investigar denúncias feitas pelo ex-vice-presidente do Atlético, Cid Campêlo Filho, contra o presidente do clube e da CAP S/A, Mário Celso Petraglia. A principal acusação era de que o dirigente rubro-negro favoreceu parentes na contratação de serviços para a conclusão da Arena da Baixada. Foi o que motivou a CPI, cujo auge foi quando Petraglia depôs e mostrou que a comissão estava pouco interessada em investigar.

A partir daí, a CPI mergulhou num marasmo do qual poderia ter saído ontem. Estava previsto audiência com o presidente da Agência de Fomento do Paraná, Juraci Barbosa Sobrinho, para que ele esclarecesse os motivos que fizeram a CAP S/A recuar da assinatura do contrato de financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas a sessão foi novamente adiada. Agora, a CPI deve retomar os trabalhos em janeiro, mas o gosto de pizza já a impregnou.

A alegação para o adiamento foi, segundo a assessoria do deputado estadual Fábio Camargo (PTB), presidente da CPI, que as sessões extraordinárias realizadas ontem na Assembleia Legislativa inviabilizaram as comissões. A ordem partiu do presidente da Casa, Valdir Rossoni, que cumpriu o regimento exigindo que todos os parlamentares participassem das sessões no plenário.

Assim, a tendência é que a solução do impasse envolvendo a liberação de R$ 131 milhões por parte do BNDES, cujo financiamento é intermediado pela Fomento Paraná, sairá antes mesmo de a CPI das Obras da Copa chegar às suas conclusões. A expectativa é que o veredicto para o empréstimo saia mais tardar na próxima semana, após a votação na Câmara de Vereadores de Curitiba que altera a lei dos créditos de potencial construtivo a serem repassados à CAP S/A.

Poucos resultados

Depois de ouvir o denunciante Cid Campêlo Filho, a CPI das Obras da Copa do Mundo colheu esclarecimentos de Mário Celso Petraglia e, na oportunidade, os membros da comissão não constataram irregularidade qualquer no uso dos recursos usados pela CAP S/A para gerir as obras. Na sequência foi a vez do presidente do Tribunal de Contas do Paraná (TCE), Fernando Guimarães, prestar esclarecimentos aos parlamentares, que exigiam mais transparência nos processos de licitação dos contratos que envolvem a remodelação do estádio atleticano e das obras de mobilidade urbana. Em seguida, convocado pela CPI, o secretário especial para Assuntos da Copa do Mundo, Mário Celso Cunha, fez apenas uma explanação sobre o andamento das obras e sequer foi questionado sobre o polêmico vídeo, onde mencionava que a dívida feita pelo Atlético junto ao poder público poderia ser “perdoada e esquecida”.
 
No dia do depoimento de Mário Celso Cunha, surgiu a informação de que o Atlético havia recuado na assinatura do contrato de financiamento dos recursos junto a Agência de Fomento do Paraná. Isso levou ao adiamento da sessão que ouviria o secretário municipal da Copa do Mundo, Luiz de Carvalho. Desde então, a CPI tem vivido de protelações.