O técnico italiano Roberto Di Matteo se tornou nesta quarta-feira a mais recente vítima da impaciência do magnata russo Roman Abramovich, que demitiu sete treinadores em nove anos à frente do clube e agora sonha contar com o espanhol Josep Guardiola, multicampeão no comando do Barcelona.

O grande investimento do russo no clube londrino e seu alto grau de exigência em relação a resultados transformaram o banco dos ‘Blues’ em uma armadilha para uma vasta lista de técnicos, alguns de grande prestígio, como José Mourinho e Luiz Felipe Scolari, que tiveram que abandonar o cargo prematuramente.

De junho de 2003, quando Abramovich se tornou proprietário do Chelsea, até agora, a equipe teve oito treinadores e apenas um deles não foi demitido, o holandês Guus Hiddink. Atualmente à frente do Anzhi, ele assumiu como “tapa buraco” após a queda de Felipão, em fevereiro de 2009, e saiu de comum acordo três meses depois.

O último a integrar a lista negra de demitidos pelo magnata foi Roberto Di Matteo. Apesar de ter tornado realidade o sonho do russo de vencer a Liga dos Campeões em junho deste ano, o italiano foi demitido devido à campanha ruim do time na edição 2012/2013 do torneio continental.

Após a saída de Di Matteo, o primeiro nome na mente de Abramovich é o de Guardiola, que, no entanto, não deverá abrir mão de seu “ano sabático” após ter deixado o Barcelona em junho. Por isso, o principal candidato a dirigir os ‘Blues’ é outro espanhol, Rafael Benítez.

O treinador campeão europeu pelo Liverpool em 2005, que assinaria contrato até o final da temporada, deixou as portas abertas para a equipe de Londres: “Não posso responder diretamente. Busco um clube que possa ganhar títulos, e o Chelsea é um deles”, afirmou ao site “Sport360”.

Di Matteo, de 42 anos, era auxiliar de André Villas-Boas passou a ser técnico dos ‘Blues’ graças justamente ao impulso de Abramovich, que demitiu o português em março deste ano, nove meses depois de ter pagado 15 milhões de euros, correspondente à multa contratual com o Porto.

Embora tenha encontrado uma equipe em construção, com atletas importantes como John Terry, Didier Drogba e Frank Lampard longe de seu melhor momento, Di Matteo soube motivar um elenco veterano, que recuperou a essência de seu futebol: mentalidade vencedora, defesa forte e contra-ataques mortais.

Os resultados foram surpreendentes. O Chelsea derrotou o Manchester City na final da Copa da Inglaterra e, após uma épica semifinal contra o Barcelona, os londrinos bateram o Bayern de Munique nos pênaltis na final da ‘Champions’.

A coroação na competição continental e o apoio do elenco forçaram o russo a renovar o contrato de Di Matteo por duas temporadas e confiar nele para reformular um time cujos grandes nomes já passaram dos 30 anos.

Com jovens talentos, como Oscar e Eden Hazard, mesclados a atletas mais experientes, como Ramires e Fernando Torres, o treinador italiano fez o Chelsea jogar um futebol mais ofensivo, vistoso e, a princípio, muito eficiente.

Porém, os resultados mudaram no último mês. Nesse período, Di Matteo quase não pôde contar com Terry na zaga, e Torres voltou a jogar mal.

Veio então uma sequência de quatro partidas sem vitórias no Campeonato Inglês, que derrubou os ‘Blues’ da liderança para a terceira posição, acompanhada de uma derrota por 3 a 0 para a Juventus na Liga, resultado que deixou o time à beira da eliminação.

A exceção de Mourinho, que treinou o Chelsea de junho de 2004 a setembro de 2007 e só saiu por brigas com Abramovich, e Carlo Ancelotti, que permaneceu no clube de junho de 2009 a maio de 2011, nenhum técnico durou mais de um ano sob as ordens do magnata. E é difícil que Benítez, caso realmente assuma, realize o feito.