Foto: Walter Alves

Estadual mal começou e o treinador paranista já balança.

O Paraná Clube – como um vampiro que foge da cruz – não fala em crise. No entanto, diretoria, jogadores e comissão técnica têm a perfeita noção da importância do jogo de amanhã, diante ao Paranavaí. Os clubes revivem no Durival Britto, às 21h45, a final do último Paranaense, conquistado pelo clube do interior. No clima da revanche, o Tricolor tenta uma guinada na sua campanha e projeta a primeira vitória na temporada para acalmar os torcedores paranistas, numa semana que marca ainda o clássico contra o líder Atlético para o domingo.

Com apenas três pontos ganhos – fruto de três empates -, o Paraná fechou a 4.ª rodada na zona do rebaixamento. Um desastre para o time que ainda não assimilou completamente o golpe da recente degola no Brasileirão. ?Não estamos e nem poderíamos estar satisfeitos com os resultados?, desabafou o vice de futebol Durval Lara Ribeiro. ?Independente da atuação da equipe nesses dois jogos, os resultados foram muito ruins?. Um retrospecto, aliás, que só não é pior do que o de 2004, ano em que o Tricolor teve desempenho pífio no estadual.

O rendimento atual só não é pior que o daquele ano, quando o Paraná só conseguiu sua primeira vitória na 6.ª rodada. Vale lembrar que em 2004 o time também tinha o comando de Saulo de Freitas e acabou relegado a um ?torneio da morte? para se livrar do descenso. Só que apesar de algumas coincidências, os momentos eram distintos. Há quatro anos, o Tricolor ficou limitado a um elenco formado apenas por pratas-da-casa e reduzidas contratações de atletas de pouca expressão. Hoje, o clube tenta se reerguer e recuperar a auto-estima. Uma missão fracassada até aqui, apesar dos esforços do departamento de futebol.

Estabilidade

No jogo de amanhã não há título em disputa, mas nem por isso trata-se de um duelo menos importante. Mais do que um troféu, o Paraná corre atrás de estabilidade para que o trabalho possa seguir seu curso natural. Um revés poderia abortar o planejamento elaborado por Saulo de Freitas e demais componentes da comissão técnica para esse início de temporada. O treinador ainda não fala sobre alterações, mas é certo que o zagueiro Luís Henrique volta a ser titular da equipe. Uma mudança que pode refletir na estratégia de jogo, já que o time se comportou bem no 3-5-2.

O ala André Luiz ainda é dúvida e será reavaliado hoje. Caso seja vetado, Saulo não descarta a utilização de Vandinho no setor, como aconteceu na maior parte do jogo em Cianorte. Além disso, a pouca produtividade do ataque também gera incertezas. Massaro ainda não rendeu o esperado e a comissão técnica pode lançar mão de um centroavante de ofício, Jéfferson, o único ?especialista? da posição no atual elenco, já que Leonardo segue em recuperação e não volta aos gramados antes de 30 dias.

Insatisfação com má campanha e horário

Sem deslanchar no Paranaense e atuando em horário ruim, o Paraná não conseguiu ainda motivar seu torcedor. Após dois jogos realizados em casa – um deles com o ?expressinho? – o Tricolor tem uma média de apenas 2.590 pagantes. Uma história que deve se repetir amanhã, na Vila Capanema. Afinal, mais uma vez o time entra em campo às 21h45, agora para encarar o Paranavaí, algoz dos clubes da capital no ano passado.

Os ingressos estarão à venda a partir de hoje cedo, em todas as sedes do clube (Kennedy, Capanema, Tarumã e Boqueirão) e com os mesmos preços de jornadas anteriores. Na curva norte e na reta do relógio, o torcedor paga R$ 10; nas sociais – e torcida visitante -, R$ 20; cadeiras R$ 30. Em todos os setores, sócios, mulheres, menores, estudantes e idosos têm direito à meia-entrada.

Vandinho vai bem na ala, mas quer voltar pro ataque

Foto: Allan Costa Pinto

Apesar do gol marcado e boa atuação no empate com o Cianorte, jogador ainda procura seu espaço na equipe.

O próprio jogador admite: seus melhores momentos no Paraná Clube foram, definitivamente, na ala-direita. Um ?filme? que o jogador já havia visto no Brasileirão -contra o Fluminense – e que se repetiu em Cianorte. Vandinho voltou até a marcar gol, mas não pensa em ?adotar? a nova posição. ?Acho que foram situações circunstanciais. Minha posição, mesmo, é a de segundo atacante, mas estou aí para ajudar, onde for necessário?, disse Vandinho.

Hostilizado por parte da torcida no ano passado – quando chegou a pedir para ir embora -, Vandinho sonha com tempos melhores em 2008, apesar do início nebuloso da equipe. O jejum de vitórias incomoda, mas não tira o ânimo do jogador. ?A cobrança existe e não é só da torcida. Nós nos cobramos muito e a maré vai mudar?, assegurou o jogador, animado com seu rendimento diante do Cianorte. ?Sinto que a boa fase está chegando. Quero fazer aqui o que fiz em outros clubes onde me destaquei.?

O desafio do jogador é encontrar seu lugar no time, o quanto antes. ?Rendo mais pelo lado do campo, vindo de trás com a bola dominada?, afirmou Vandinho. ?Agora, estamos jogando com dois meias de criação, o que facilita minha movimentação. Só que além de jogar bem, temos é que somar pontos, ganhar esse jogo (contra o Paranavaí, amanhã) para chegar ao clássico (diante do Atlético, no domingo) com confiança?, finalizou o curinga paranista.

Itamar assume o Vermelhinho

O atual campeão paranaense não conseguiu se encontrar em 2008. A derrota por 5 a 3 para a Lusinha ? a segunda do clube na temporada -custou o emprego do técnico Dirceu de Mattos, ainda em Cambé.

Assim, a principal atração do Vermelhinho, amanhã, estará fora das quatro linhas. Itamar Bernardes, que havia sido demitido do Rio Branco (foram quatro derrotas consecutivas), já foi contratado e hoje se une a delegação, em Curitiba. O Paranavaí, 13.º colocado, soma apenas 4 pontos, tendo como marca negativa a defesa mais vazada do estadual até aqui, com 13 gols sofridos.