Num momento de decisão do campeonato paranaense, a tropa de choque atleticana foi dar uma força para os jogadores do time, às vésperas do primeiro Atletiba da decisão.

Estiveram ontem no CT do Caju o presidente do clube, João Augusto Fleury da Rocha, o presidente do conselho deliberativo, Mário Celso Petraglia e o diretor de marketing do Clube dos 13, Mauro Holzmann. O pedido dos dirigentes aos atletas é um só: não deixar escapar o título da competição no ano das comemorações dos 80 anos do clube.

No ano retrasado, quando o clube vivia um momento ruim, até o megaempresário Juan Figger foi à Arena prestigiar o último treinamento antes de um clássico contra o Coritiba. O resultado foi bom: 1 a 0 para o Atlético, com gol de Kléber. Agora, o momento é ótimo e o time não perde há 19 jogos, mas ninguém quer descuidar e um afago nos jogadores nunca faz mal a ninguém. “Na verdade, eles não precisam, mas fomos conversar, ver se estava tudo bem e ver se eles tinham alguma coisa para falar. Nesses momentos mais decisivos é sempre bom deixar claro que todos os nossos compromissos estão sendo honrados”, revelou Fleury.

Segundo ele, na conversa com os atletas, o dirigente rememorou a conversa do começo da temporada. “Nós dissemos no início da pré-temporada que estávamos começando um trabalho para sermos campeões estadual e brasileiro”, disse. Além da moral, os dirigentes agradeceram o trabalho realizado pelos jogadores. “Dos últimos tempos, esse grupo é o que está mostrando mais profissionalismo”, apontou.

De acordo com Fleury, não foi prometida nenhuma premiação extra em caso de título.

Time

Enquanto isso, o técnico Mário Sérgio aproveitou a deixa para também conversar com os jogadores e aparar qualquer aresta nesta reta de chegada. Ele já descartou as participações do zagueiro Rogério Correia e do meia Adriano na primeira partida da decisão do estadual. De acordo com o treinador, eles não teriam tempo suficiente para treinar para o confronto contra o Alviverde.

Washington e Ilan não querem ver repeteco de 99

Junho de 1999. Paraná e Coritiba se encontram na grande final do campeonato, disputada em três jogos. O Tricolor vai para a final com a vantagem de jogar por três empates. Perde o primeiro jogo por 1 a 0, mas com o empate em 2 a 2 no segundo, vai para a grande decisão, no Pinheirão, precisando de um a vitória simples. Sai na frente com dois gols e o final da história todos sabem: o Coritiba se supera, marca primeiro com Cléber e, com um gol de Darci, que passou grande parte do estadual no DM, fica com o título. Era o fim do sonho Tricolor.

Cinco anos se passaram. E por uma jogada do destino, a dupla de ataque que jogou a última partida daquela final tem a sua revanche neste sábado, com a camisa do maior rival do Coritiba, o Atlético. Washington e Ilan, que hoje fazem a alegria da torcida atleticana com muitos gols, se encontraram a primeira vez na Vila Capanema. Washington, que viera do Caxias, se consagrava como artilheiro do time e o prata da casa Ilan encantava a torcida, especialmente após sua histórica estréia – o Paraná bateu o Coxa por 6 a 1, na fase classificatória e Ilan marcou três.

Houve a separação, a passagem dos dois pela seleção brasileira – Washington em 2001 e Ilan em 2003 – e o reencontro. “O futebol tem essas coisas bacanas, de volta e meia reencontramos antigos parceiros”, diz Washington. “Como já havíamos atuado juntos, o entrosamento foi ainda mais fácil”, diz Ilan.

A partir de sábado, a dupla revive mais uma final de campeonato paranaense disputada com dois clássicos. E mesmo que seja um Atletiba, e não um Paratiba, não há como não lembrar do passado.

Para o cético Ilan, tudo não passa de uma coincidência. “É outra época, outro clube, outro grupo. Apesar do reencontro com Washington, com quem tenho um bom entrosamento dentro de campo, uma situação nada tem a ver com a outra”, afirma.

O experiente Washington, entretanto, não pensa assim. “É certo que estamos defendendo outro clube, mas o que aconteceu naquele ano serviu como uma boa lição.”

Atlético tem os novatos na final

O goleiro Diego, um dos principais jogadores do Atlético, se prepara para viver uma emoção diferente no sábado, no primeiro jogo da final do campeonato paranaense. Pela primeira vez, ele estará numa decisão de competição vestindo a camisa rubro-negra e não vê a hora de começar a partida. Empolgado, ele aposta no trabalho realizado até aqui e acredita na sua equipe para a conquista do caneco.

“A gente vive uma emoção diferente. Desde o momento em que a gente acorda, fica aquele pensamento do jogo, de querer que chegue logo o dia do jogo, aquela ansiedade de decidir uma partida”, analisa o arqueiro. Para ele, em final de campeonato o jogador repassa tudo o que foi feito e tudo o que pode ser feito para sua equipe se dar bem na decisão.

Novatos

Além de Diego, outros jogadores também chegam à primeira decisão e ao primeiro Atletiba ao mesmo tempo. São os casos do zagueiro Marinho, do volante Vânderson e do atacante Washington. Todos eles sedentos para jogar um clássico decisivo. “É emocionante estrear num Atletiba. Já ouvi falar bastante e é uma rivalidade muito grande de duas equipes fortes do futebol brasileiro”, diz Vânderson.

“Contra o Londrina foi o meu primeiro jogo como titular e agora quero trabalhar bastante e ser campeão jogando”, projeta.

Já o atacante Washington está feliz por atuar em mais um clássico da cidade. “É um clássico que movimenta a cidade. Joguei pelo Paraná contra o Atlético e Coritiba, mas o Atletiba ainda não. É um gosto especial, tenho certeza disso, principalmente numa final”, fala. Para ele, a equipe rubro-negra passa por um momento especial e está afiada para conseguir o título. “Estamos motivados, felizes e tenho certeza que o grupo está confiante para fazer uma grande partida e sair com uma boa vantagem da primeira partida”, finaliza.