Existe algo muito mais preocupante do que o fraco futebol que o São Paulo mostrou no sábado no empate com o São Caetano, por 1 a 1, em pleno Morumbi. Ou a partida de quarta-feira, contra o Coritiba, no Paraná. É a situação financeira. Segundo a própria contabilidade oficial do clube, as dívidas ultrapassam R$ 50 milhões. O presidente Marcelo Portugal Gouvêa confirmou ontem a situação. Só que escolheu uma maneira original de tentar acalmar conselheiros preocupados com os altos juros no País que farão a dívida crescer ainda mais.

“Nas normas contábeis que eu não concordo aparecem números assutadores. No meu modo de ver, o São Paulo não deve R$ 50 milhões realmente. O clube recebeu ajuda de empresários para comprar o Ricardinho (do Corinthians por US$ 4 milhões). “Esse dinheiro foi dado a fundo perdido. Só será devolvido se o jogador for vendido ao exterior.

Foi dinheiro dado. Tecnicamente não há dívida. A mesma coisa com o Dill. Não vendendo, não pagamos”, afirma, tranqüilamente, sem perceber a situação ruim que repassa a quem investiu no São Paulo.

As palavras do presidente vão além. E as explicações, também. “Nós dividimos a nossa dívida com o INSS. Estamos pagando as parcelas. O saldo que ainda é contabilizado como dívida, mas não concordo. A nossa dívida é artificial.”

Inspirado, o dirigente fez essas revelações no programa oficial que faz o clube bancar na rádio Trianon. E confidenciou buscar nova parceria para os R$ 50 milhões ?artificiais? que sua diretoria deve.

“A imprensa deveria nos ajudar. Ajudando um dos maiores clubes brasileiros, o futebol iria melhorar. Mas isso não interessa”, critica, sem explicar como os jornalistas poderiam contribuir -se juntando dinheiro, fazendo rifas ou comprando camisas.

Se os repórteres não têm dinheiro para ajudar, o Corinthians, sim. E o presidente aceita, feliz. “Recebemos o pedido da diretoria corintiana para reservar os novos camarotes especiais que construimos no Morumbi. Ela usará na partida de quarta-feira contra o Santos. E serão alugados. Esses camarotes serão uma boa reserva financeira ao nosso clube.”

Uma grande esperança para aliviar essa dívida ?artificial? está embarcando nesta segunda-feira para o México. A dupla Kaká e Júlio Baptista viajará com a seleção brasileira sub-23 que disputará a Copa Ouro. A torcida é imensa para que ambos atuem bem e despertem interesse de clubes europeus. Sem o Torneio da Paz na Coréia que o São Paulo foi proibido de disputar, só restou a Copa Ouro como vitrine de venda de seus atletas.

No elenco, por incrível que possa parecer, Júlio Baptista fará muito mais falta do que Kaká nas seis partidas que o clube ficará sem os dois no Brasileiro. Sem ser titular absoluto, Júlio está bem melhor do que o ídolo. O técnico Rojas deixou escapar no sábado a exata medida: Kaká em péssima fase se tornou apenas mais um.

“O Kaká é tão importante como qualquer outro jogador aqui no São Paulo. Exatamente com os outros”, sentenciou depois de outra vez o meia ter ido muito mal, desta vez contra o São Caetano. Antes haveria mais cuidado nas palavras sobre a revelação.

Mas Rojas foi até contido. Se não houvesse a Copa Ouro, Kaká estava muito cotado para ir para o banco de reservas.

No jogo de quarta-feira diante do Coritiba, Rojas, terá o retorno de Gustavo Nery ao meio-de-campo. Ricardinho continua fora, contundido. “E vamos continuar jogando feio e somando pontos”, promete, ou ameaça, o técnico.