Na mão direita, a saltadora brasileira Keila Costa segurava a bandeira de seu país. Na outra, a do Panamá, pátria do namorado Irving Saladino, que disputava o salto em distância nesta terça-feira, dia 24, no Estádio Olímpico João Havelange.

"Estou dividida", disfarçava a atleta, que tentava demonstrar apoio aos brasileiros na prova, Erivaldo Vieira e Rogério Bispo. Keila ficava com vergonha de atrapalhar a visão de alguém quando só ela se levantava para acompanhar os saltos do amado. Cercada por colegas da equipe de atletismo, ouvia brincadeiras do tipo "fala panamenha" e "oh, o amor".

"Estou acostumada a vê-lo competir, mas nos Jogos é especial. E eu fico menos nervosa quando estou saltando do que quando o vejo competir".

Apesar do favoritismo, havia algo de errado com Saladino. O primeiro salto, de 6,66m, foi o pior entre os dos oito competidores que não queimaram a tentativa.

"A corrida dele está esquisita", comentou o fisioterapeuta do panamenho, Rodrigo Iglesias. "Nossa, sua mão está gelada", completou, ao cumprimentar uma desanimada Keila.

Só depois da prova e do ouro garantido, Saladino contou que tinha se lesionado na coxa esquerda há dois dias. Para não preocupar ninguém, omitiu a contusão. Os 8,28m que lhe deram a vitória nos Jogos ficaram distantes da marca de 8,53m, a melhor que alcançou nesta temporada. No fim, brincou com o apoio da namorada. "Só uma brasileira queria que eu ganhasse hoje".

Nesta quarta-feira, os lugares se inverterão. Saladino estará na torcida pela namorada na final do salto em distância. Mas ao contrário da brasileira, ele terá a companhia de milhares de brasileiros.