Foi um dia feliz para o automobilismo mundial. No alto do pódio, dois pilotos com macacões impecavelmente brancos, ostentando apenas a obrigatória marca dos pneus e o nome da equipe: Brawn GP. Um time que, há um mês, não existia. Que colocou seu carro na pista para o primeiro teste exatamente 20 dias antes da abertura do Mundial de F-1.

E ganhou. E fez dobradinha. “É um conto de fadas o que estamos vivendo”, resumiu o vencedor, Jenson Button. Um inglês que, nos últimos dois anos, foi atirado ao ostracismo por conta do brilho do compatriota Lewis Hamilton, da McLaren.

Ao lado dele, Rubens Barrichello, segundo colocado. Um brasileiro que, nos últimos três anos, foi igualmente relegado ao ostracismo por conta do brilho do compatriota Felipe Massa, da Ferrari.

Para ir do ostracismo ao olimpo, foram precisos apenas 20 dias, desde aquele teste em Barcelona, em 9 de março, quando Button colocou o BGP 001 no asfalto pela primeira vez.

“Naquela manhã, depois de quatro voltas, eu percebi que o carro era competitivo”, contou o britânico ontem, depois de sua segunda vitória na categoria – que lhe valeu mais pontos do que fez pela Honda nas últimas duas temporadas juntas.

O carro da Brawn é um espanto. Dominou todos os treinos na Austrália e ontem ocupava as duas primeiras posições do grid no Albert Park, em Melbourne, com Jenson na pole e Barrichello em segundo. Button liderou a corrida de ponta a ponta.

Não perdeu a primeira posição nem nas duas paradas para reabastecer e trocar pneus, mesmo tendo cometido um erro no segundo pit stop. “Entrei no box em segunda marcha e o ponto-morto não entrou. Perdi uns seis segundos ali”, disse.

A Brawn saiu de Melbourne como forte candidata ao título e favoritíssima à vitória domingo que vem na Malásia. “Se ninguém fizer nada, eles ganham todas as corridas”, sentenciou, em tom apocalíptico, Fernando Alonso, da Renault. Não é impossível. E o conto de fadas pode acabar virando filme de terror para as outras equipes, perplexas com o que viram em Melbourne.