Orlando Kissner
Antônio Carvalho disse que
a conta foi desativada em abril. Mas a Tribuna fez a transferência
na quinta, provando que
ainda estava ativa.

O dono da conta-poupança suspeita pelo TJD-PR de ser a fonte de corrupção na arbitragem do Estado mostrou a cara ontem. Antônio Carvalho, vice-presidente da Comissão de Árbitros da FPF até a explosão do caso, convocou uma entrevista coletiva e admitiu que era dele a conta divulgada na edição de ontem da Tribuna. Carvalho apresentou documentos e extratos bancários com intenção de provar inocência, mas acabou se comprometendo: alegou ter encerrado em abril uma conta que ainda estava ativa na quinta-feira.

A Tribuna divulgou ontem que o TJD investiga a denúncia de que a conta de Carvalho seria o centro do esquema de venda de arbitragens. Como não havia provas – e ainda não há – de depósitos suspeitos em nome do ex-árbitro, o jornal decidiu não revelar o número ou o nome do titular. Ontem, o presidente da FPF entrou em contato com o auditor Octacilio Sacerdote Filho, que lhe repassou o número. ?Carvalho já havia recebido telefonemas perguntando se o nome era dele. Espontaneamente, resolveu se apresentar?, falou o presidente da FPF, Onaireves Moura, afirmando que era possível decifrar o nome de Carvalho e o número da conta no borrão feito sobre os caracteres na capa da edição de ontem. Mas o nome do depositário, que apareceu oculto da mesma forma, não foi identificado.

Assim, o ex-vice da comissão de arbitragem chamou a imprensa e exibiu três documentos. O primeiro era o extrato bancário de uma outra conta do Banco Itaú, com a movimentação registrada entre os dias 15 de agosto a 16 de setembro, contendo saques, pagamentos, recebimento de salário (ele é aposentado da Telepar) e pequenos depósitos (um de R$ 100,00 e outro de R$ 78,00). Carvalho também exibiu um papel sem timbre nem nome de instituição, no qual consta que a conta conjunta era a única existente com o CPF dele.

O terceiro papel, intitulado ?Informações de Conta Corrente e Investimento?, revelava que a conta investigada pelo TJD está desativada, embora a data não esteja especificada. Carvalho afirmou que a desativou em abril deste ano, quando mudou de endereço.

No final da tarde de quinta-feira, porém, a Tribuna simulou uma transferência de R$ 10,00 para aquela conta. A operação foi autorizada até aparecer a tela com o nome do titular – Antônio Carvalho – e a opção ?enviar?, que não foi pressionada. O comprovante foi publicado na edição de sexta-feira. Às 19h de ontem a operação foi repetida, mas a tela como o nome do titular não estava mais ativa – em vez disso, aparecia a mensagem ?Agência/conta de crédito inexistente?. Indício claro de que a conta foi desativada ontem.

Carvalho, que na coletiva parecia bastante nervoso, prometeu exibir na próxima segunda-feira um documento com toda a movimentação da conta investigada pelo TJD. Ele alega que o Banco Itaú não teve tempo de expedir a papelada ontem.

Justificativas

O ex-árbitro afirmou, porém, que já recebeu dinheiro de clubes em sua conta. Os depósitos seriam referentes às taxas normais de arbitragem. ?É uma prática comum. Às vezes os clubes não têm dinheiro para pagar a taxa e emitem um cheque. O valor é depositado na conta do árbitro, ou do representante da FPF, que por sua vez repassam os valores devidos aos assistentes?, explicou Moura. Carvalho foi árbitro até 2000, e em 2002 e 2003 era representante da Federação.

Carvalho negou que seja o ?Bruxo? e disse não temer ser indiciado no inquérito do caso, conforme adiantou anteontem o auditor Sacerdote. ?Os documentos vão mostrar tudo e falar por mim. É uma calúnia premeditada. Vou provar que sou inocente?, afirmou. Além de Carvalho, Sacerdote pretende indiciar o ex-presidente da Comissão de Arbitragem, Valdir de Souza, e o ex-presidente do Conselho Deliberativo do Operário de Ponta Grossa, Silvio Gubert, autor das declarações que deram origem ao caso.