O elenco santista não escapou nesta sexta-feira de fazer uma reunião com o técnico Dorival Júnior antes do início dos treinos no CT Rei Pelé. O motivo foi a polêmica religiosa que cercou a visita de jogadores e comissão técnica a uma instituição de caridade na quinta, na qual vários atletas se recusaram a descer do ônibus, onde permaneceram por quase duas horas.

O incidente causou constrangimento no clube, principalmente de Dorival, que se esforçou para explicar os motivos da recusa de jogadores como Robinho, Neymar e Paulo Henrique em participar da entrega de 640 ovos de Páscoa ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, que fica na própria cidade de Santos. A questão principal teria sido sobre o fato de a instituição ser espírita.

“Essa situação não agrada ninguém”, reconheceu Dorival. “Mas temos que respeitar a posição dos jogadores. Embora tenha sido um pedido da presidência, a presença de todos os jogadores não era obrigatória. Nessa questão há um lado religioso, mas a visita foi fraterna”, tentou explicar o treinador santista, um dos que participou da entrega dos ovos.

Já Robinho disse que os jogadores foram surpreendidos com a orientação religiosa da instituição. “Só ao chegar soubemos que se tratava de um ambiente espírita. Cada jogador tomou a atitude que achou conveniente, e acho que a religião de cada um precisa ser respeitada. Ninguém orientou a gente para que tomássemos essa atitude. Ela foi movida pela religiosidade de cada um. Isso não tem que virar polêmica”, afirmou o atacante em entrevista à TV Bandeirantes.

Neymar, por sua vez, admitiu que a atitude não foi das melhores. “Cheguei em casa, conversei com o meu pai e percebi como foi ruim a nossa postura. Jamais vou repetir algo assim, e por isso temos que pedir desculpas”, disse a revelação santista, revelando depois que teve também outra motivação. “Mas há outro motivo e isso não pode ser dito aqui e tem que ficar fechado no grupo”, falou, deixando a dúvida no ar.