Paulo Filgueiras/Estado de Minas
Técnico campeão pelo Grêmio interessa ao Coxa, mas teria que reduzir, e muito, seu salário pra treinar o time do Alto da Glória.

Dorival Júnior é passado, ou melhor, poderia protagonizar uma novela com o título de ?A saída de quem nem veio?. O ex-treinador do São Caetano e do Cruzeiro foi descartado pelo coordenador de futebol do Coritiba, Antônio Carlos Xavier, e não está mais na lista alviverde para a temporada 2008. O nome prioritário do momento não foi divulgado, mas o dirigente coxa admitiu que Tite, demitido esta semana do Al-Ain, do Catar, é um nome plausível desde que aceite diminuir ?consideravelmente? (nas palavras de Tonico Xavier) sua proposta.

Tite se encaixaria em vários dos requisitos do Coritiba para o ano que vem, o da volta à primeira divisão. Ele é um técnico de ponta do futebol brasileiro (com boas passagens por Corinthians e principalmente pelo Grêmio, onde foi campeão da Copa do Brasil de 2001). Ele também é um nome que agradaria à torcida, que está temerosa de um possível ?laboratório? no início da temporada. Além disso, Tite poderia ser contratado sem a comissão técnica, pois seus auxiliares diretos permaneceram no Catar.

Só há um enorme empecilho no caminho. Nas diversas sondagens que empresários e emissários do treinador fizeram junto a Tonico Xavier, o salário pedido seria irreal, muito acima do que teria pedido Dorival Júnior e que acabou fazendo com que o treinador fosse descartado. O coordenador de futebol coxa se assustou com a pedida de Tite. ?Para começarmos a conversar, ele teria que reduzir consideravelmente seu salário?, comenta Xavier, que no entanto admite que o técnico ?poderia ser um bom nome? para o Coritiba.

O dirigente não quis confirmar quem seria a atual prioridade do Coritiba – Giba, em tese, ainda é o primeiro nome com a saída de Júnior dos planos. Mas Tonico Xavier confirmou que o Coxa estava com um profissional praticamente acertado, mas este (um técnico que está trabalhando no interior paulista) desistiu na noite de quarta. ?Ele tinha montado todo o elenco e iniciaria agora os treinos. A parte ética pesou e nós encerramos os contatos?, comentou o coordenador.

Tonico Xavier quer anunciar o quanto antes o nome do novo técnico do Coritiba, até para acelerar as contratações. O nome de Borges, ventilado nos últimos dias, foi negado – os esforços alviverdes estão todos voltados para a contratação do treinador. Que, se dependesse do dirigente, seria mesmo Dorival Júnior, caso diminuísse a pedida e (ou) aceitasse trabalhar sem seus auxiliares. ?Entre o Tite e o Dorival, pelo mesmo salário, eu escolheria o Dorival?, finaliza Xavier.

Seis na primeira leva, mas pode ir mais gente embora

Seis a menos. E podem ser doze. Ontem, o Coritiba confirmou os jogadores que não permanecerão no elenco pra temporada 2008. Além dos já anunciados Ânderson Lima e Caíco, foram liberados o lateral-esquerdo Fabinho, os volantes Juninho e Adriano e o meia Igor. Outros seis atletas ainda podem permanecer, mas, dependendo das negociações de renovação, também podem deixar o Alto da Glória.

A saída destes jogadores é, na verdade, um anúncio de não – permanência deles no Coxa. Como todos os seis não são vinculados ao clube (têm, portanto, seus direitos federativos ligados a outra equipe), o Cori teria que decidir se eles interessariam ou não ou se apenas voltariam aos seus times de origem. Caso semelhante ao do lateral-esquerdo Ricardinho, que estava emprestado ao Atlético-MG, foi ?devolvido? e se apresentou na quarta-feira.

Os nomes mais importantes da lista eram mesmo Ânderson Lima e Caíco. Eles foram titulares durante boa parte do ano, eram jogadores de confiança do ex-treinador René Simões e tiveram suas renovações apalavradas com o ex-coordenador de futebol João Carlos Vialle, candidato derrotado por Jair Cirino dos Santos à presidência do Coritiba.

Agora, quem dá as cartas é o grupo de Cirino, e o comandante do futebol Antônio Carlos Xavier já avisou que eles não ficariam. O volante Juninho é outro que não emplacaria. Apesar de ser titular por bom período, nunca esteve nas graças da torcida. Na metade do ano, sofreu um acidente de trânsSto e ficou até agora em tratamento. Adriano, que chegou junto com Juninho, teve pouquíssimas chances e também sai sem alarde.

O lateral Fabinho sai com a marca de ter sido um dos heróis da ascensão alviverde. Na partida contra o Vitória, que garantiu a volta à primeira divisão, ele fez o gol de abertura do placar. Mesmo com isso, e sendo titular nas últimas rodadas da Série B, vai deixar o Coxa. Igor foi o ?invisível-mor? de René, tendo jogado apenas uma partida na Segundona e feito um gol na derrota por 3×2 para o Marília.

Tem mais seis em compasso de espera para picar a mula

Quem vai ficar sem contrato no Coritiba não está, necessariamente, fora dos planos da diretoria. Seis jogadores ainda não tiveram suas situações definidas e podem tanto permanecer no clube quanto sair ao final do vínculo, na segunda-feira, dia 31. Pelo menos um deles, o meia e ala Diogo, interessaria, mas seu futuro e também dos zagueiros Leandro e Dezinho, do lateral Ivo, do volante Careca e do meia Dinei -depende de negociação.

Diogo teve um começo claudicante no Coritiba, mas se firmou como ala-esquerdo, posição em que rendeu melhor sob o comando de René Simões. Mas suas sucessivas lesões e a ausência em momentos-chave da campanha da volta para a primeira divisão podem ser decisivas na decisão do comando do futebol alviverde pela sua permanência du, pela sua saída.

Outro que se lesionou foi o zagueiro Leandro, que era titular no início da temporada. Além das contusões, o jogador (ainda vinculado ao Adap-Galo) ficou marcado pelo ?? que levou de Diogo, atacante da Portuguesa, na derrota do Coxa por 3×1. Dezinho, que jogou menos partidas, esteve bem nas últimas rodadas e pode até ficar.

Os outros três que estão esperando uma definição da diretoria de futebol não devem ficar. Ivo, que foi um dos mais assíduos na ?era René Simões?, não estaria no plano técnico ideal para a disputa da primeira divisão. Careca e Dinei seriam casos semelhantes, mas ainda aguardam uma posição definitiva do clube.