Foto: Valquir Aureliano/O Estado

Joelson faz hoje a primeira partida como titular do Paraná Clube.

O Paraná Clube encara o Botafogo, hoje – às 20h30, no Maracanã – disposto a mostrar que o revés na última rodada não passou de um ?acidente de percurso?.

Com o time praticamente completo, o Tricolor tenta retomar o bom futebol que norteou a campanha do clube ao longo do primeiro turno. O objetivo é não perder o contato com as equipes que estão na ponta da tabela, deixando de lado a pressão gerada por duas derrotas consecutivas e focando apenas o adversário desta noite.

Um jogo que marca um duelo à parte. Estarão frente a frente os dois únicos técnicos paranaenses em atividade na Série A. Treinadores com trajetórias similares, mas que vivem momentos distintos.

A carreira do curitibano Cuca decolou depois de sua passagem no Paraná (2003) e Goiás. Chegou ao São Paulo no ano seguinte, mas desde então não conseguiu mais se firmar numa equipe de ponta. Embalado por duas vitórias, quer agora fixar o Botafogo numa posição intermediária.

Do outro lado, Caio Júnior -natural de Cascavel – chegou a dar novo rumo à sua vida, como comentarista esportivo, mas recuou dessa decisão ao ser convidado pelo Paraná Clube, em abril. Com números expressivos, vem conduzindo o clube em uma campanha equilibrada, que permite ao seu torcedor (apesar dos tropeços contra São Paulo e Juventude) alimentar o sonho de pela primeira vez se classificar para a Libertadores da América. ?Não podemos nos deixar abalar por um jogo ruim. Foi exceção?, assegurou o treinador.

Caio Júnior fez referências ao início da temporada, onde o Paraná superou momentos de dificuldade com aplicação tática e um grupo ?fechado?. ?Perdemos dois jogos seguidos – para Fluminense e Corinthians – e depois disso ficamos invictos oito rodadas?, analisou. Na sua visão, houve um momento crítico, onde os jogadores lhe deram sustentação.

?No jogo frente à Ponte Preta, era fundamental uma vitória e recebi todo o apoio do grupo. Fizemos 5×2. Agora, é a minha vez de dar todo o apoio a esse elenco. Principalmente no aspecto emocional, já que tecnicamente todos já mostraram seu valor?.

Com Émerson e Beto de volta ao time, o Paraná ganha experiência e equilíbrio não apenas na defesa. Para o treinador, Beto é um jogador versátil, capaz de marcar com eficácia e ainda assegurar volume de jogo. Usa como exemplo o primeiro tempo do jogo frente ao São Paulo, quando o capitão fez um e participou diretamente do outro gol da equipe.

?Se aquele foi o nosso modelo, temos uma formação bastante parecida?, lembrou Beto. A única mudança em relação àquele time é a presença de Joelson no comando do ataque, na vaga de Leonardo, lesionado.

Sem uma referência na área adversária, o Tricolor vai tentar fazer da velocidade e da troca constante de posições a sua principal arma.

?No Maracanã, a mobilidade faz a diferença. Por isso, abri mão de um jogador fixo no ataque?, justificou Caio, que não relacionou para a partida nenhum jogador ?de área?. Além dos titulares Maicosuel e Joelson, terá como opções ofensivas Gérson, Sandro e Henrique, todos jogadores de velocidade.

Pra recuperar o trono

Com atuações seguras em praticamente todos os jogos que disputou fora de casa neste Brasileiro (o rendimento é de 41,67%), o Paraná Clube tenta recuperar hoje a condição de ?rei do Maraca?. Em sua história, o clube tem partidas memoráveis no Maracanã, com goleadas quase sempre aplicadas no Flamengo.

O Botafogo também já provou desse veneno.

O Tricolor, em três jogos contra o Alvinegro carioca, soma duas vitórias e um empate.

O clube paranaense soube aproveitar o período de desarticulação do futebol do Rio de Janeiro para construir essa vantagem.

Em 12 jogos, contra Fla, Flu e Bota, o Paraná soma sete vitórias, dois empates e sofreu apenas três derrotas.

Só que nas últimas temporadas, o tabu de nada valeu. O Tricolor perdeu os dois últimos jogos que disputou no Maracanã e pelo mesmo placar: 2×1 (em 2004 para o Flamengo e na atual temporada para o Fluminense).

Nesses dois jogos, houve interferência direta da arbitragem, em especial no jogo de maio deste ano, contra o tricolor carioca.

O árbitro Édson Esperidião confirmou um gol ilegal do Fluminense, onde houve duplo impedimento. O clube até tentou a anulação do jogo nos tribunais, mas sem sucesso. No primeiro turno, frente ao Botafogo, o Paraná perdeu pontos importantes em casa, ao empatar por 0x0, com direito a uma penalidade máxima desperdiçada por Sandro. A meta, hoje, é recuperar esses pontos e reconduzir o clube ao G-4 da Série A.

CAMPEONATO BRASILEIRO
21ª RODADA
Local: Maracanã (Rio de Janeiro).
Horário: 20h30.
Árbitro: Wilson Luiz Seneme (Fifa-SP).
Assistentes: Ednilson Corono (Fifa-SP) e Válter José dos Reis (Fifa-SP).

BOTAFOGO x PARANÁ CLUBE

BOTAFOGO
Lopes; Rafael Marques, Juninho e Asprilla; Joílson (Rui), Alê, Diguinho, Zé Roberto e Júnior César; Jéfferson Feijão (Wando) e Reinaldo. Técnico: Cuca.

PARANÁ
Flávio; Gustavo, Émerson e Edmilson; Angelo, Pierre, Beto, Batista e Edinho; Maicosuel e Joelson. Técnico: Caio Júnior.