Após as diretorias de Atlético e Coritiba se unirem, a dupla incluiu o Paraná e o Trio de Ferro esteve junto na coletiva de ontem, em um hotel de Curitiba, para falar do fortalecimento do futebol paranaense, que passa pela eleição de Ricardo Gomyde para a presidência da Federação Paranaense de Futebol.

O presidente do Coritiba, Rogério Bacellar, prometeu que vai ajudar o rival sempre que puder, mas que precisa “arrumar a própria casa” antes para depois se comprometer fortemente. Ainda lembrou que, desde o início de sua gestão, o Tricolor foi recebido visando essa parceria. “Hoje o Paraná passa dificuldade, e nós vamos trabalhar juntos para ajudar. Daremos vários passos juntos”, garante.

Já do lado do Atlético, o presidente Mario Celso Petraglia prometeu deixar o elenco à disposição da diretoria paranista para poder trazer peças pontuais na sequência da Série B. Cinco jogadores, aliás, já foram oferecidos: três que estavam no Foz do Iguaçu e retornaram politicamente, e dois atacantes do atual elenco sub-23. “Vamos ajudar. Tudo aconteceu muito rapidamente, estamos agora conversando. O Atlético estará junto com o Paraná”, completa o mandatário rubro-negro.

Para o futebol do Estado ficar forte, as direções possuem alguns direcionamentos e prioridades para a sequência. Arregimentar sócios-torcedores, aumentar receitas de TV para todos e buscar novos patrocinadores são os principais no momento. “Todos os clubes precisam de valorização. Vamos buscar o crescimento e o enriquecimento do futebol paranaense”, promete Petraglia.

Todos, por outro lado, só prometem todo esse esforço conjunto com a vitória de Gomyde na entidade que regula o futebol do Estado. “Isso é fruto dessa unidade, coisa rara no futebol do Brasil. É uma oportunidade histórica pra o futebol do Paraná. Os clubes se uniram para que um possa ajudar o outro”, comenta o político.

Nada de novo

Agradecido e feliz com a união, Rubens Bohlen ainda não tem perspectivas de melhoras no momento. O pagamento do salário, por exemplo, continua longe de acontecer e o mandatário preferiu se esquivar, falando que trata disso apenas internamente. O mesmo discurso foi feito sobre a falta de patrocínio máster, após o fim do contrato com a Caixa Econômica Federal (CEF), no final de janeiro.

O dirigente, inclusive, reclamou que a divisão de cotas da Série B, principalmente, está quebrando os clubes médios. Atualmente, o Tricolor recebe R$ 3 milhões da televisão no Campeonato Brasileiro, mas apenas R$ 2,7 milhões são líquidos. Pensando nessa melhora, o Paraná vai apresentar um projeto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no início de março para a entidade, pelo menos, pensar no assunto.

A proposta está praticamente pronta, faltando pequenos detalhes no alinhamento da parte jurídica e de marketing. O assunto, aliás, foi pauta do encontro com o futuro presidente da entidade máxima do futebol, Marco Polo Del Nero, na semana passada. Entretanto, em 2015, dificilmente o valor da cota deve mudar. “Soubemos que vai continuar assim. Algo tem que ser feito e, quem sabe, isso venha a abrir a mente da CBF”, sonha Bohlen.

Ano passado, o Tricolor esteve em duas reuniões com dez clubes, em Recife e no Rio de Janeiro, para tratar do assunto. De acordo com o presidente paranista, todos são unânimes na questão e pedem a revisão do futebol nacional. “Não tem da onde tirarmos mais recursos. Se a verba não for mais justa, não sei o que vai acontecer os clubes. Só ver o Botafogo como está quebrado, e temo que a gente seja o próximo”, finaliza.