O surgimento da Copa do Nordeste e da Copa Verde engrossou, em 2014, o discurso de que os campeonatos estaduais precisam de uma solução se quiserem sobreviver no apertado calendário do futebol brasileiro. Com mais atrativo para o torcedor, as competições regionais podem ser, para especialistas de marketing, a salvação do futebol nacional. “É preciso tratar essa questão de forma tradicional e deixar o lado político de lado para salvar o futebol brasileiro”, resumiu o consultor de marketing esportivo, Amir Somoggi.

Para Somoggi, as competições regionais trazem consigo um apelo maior entre os torcedores, a mídia em geral e aos patrocinadores do que os campeonatos estaduais. “As copas regionais trazem mais apelo. São clássicos em grande parte dos jogos, com uma rivalidade maior, mesmo sendo times menores. A Copa do Nordeste é uma competição que tem um certo glamour. Teoricamente, seria muito mais interessante fortalecer esse torneio, do que tentar salvar os estaduais”, explicou o consultor de marketing esportivo.

Dinheiro

Para o especialista em marketing esportivo, Erich Betting, as copas regionais são capazes de trazer aos clubes um avanço financeiro e técnico muito maior do que proporcionam os campeonatos estaduais. “O Campeonato Estadual já não serve mais para os clubes tanto financeiramente quanto esportivamente. O avanço desses torneios depende do crescimento do evento em si. Se conseguir fazer uma forma em que o torneio possa ficar maior, naturalmente os clubes ganharão mais. Caso contrário, não vai agregar muita coisa”, detalhou.

Tendência

Amir Somoggi ressaltou também que a atitude do Atlético, em disputar as duas últimas edições do Campeonato Paranaense com seu time alternativo, deve virar tendência entre os grandes clubes brasileiros diante de campeonatos estaduais cada vez mais deficitários. Até por isso, na reunião realizada no ano passado, em Curitiba, quando o movimento para o retorno da Copa Sul-Minas foi iniciado, o Furacão foi favorável a inclusão da competição regional no calendário do futebol brasileiro.

“O Atlético é um time corajoso fazendo isso. Outros clubes devem acabar optando pela mesma coisa e o caminho deve ser esse mesmo. A pré-temporada com apenas 15 dias é pouco tempo para os clubes se prepararem para o ano inteiro de competições exaustivas, como é o Campeonato Brasileiro”, concluiu o especialista.