Fotos: Ciciro Back
O folclórico candidato, ex-dirigente e treinador do futebol amador diz que não está pra brincadeira.

A polêmica sempre caminha ao lado de Élcio Berti. Famoso por projetos como a construção de um aeroporto para discos voadores, proibição de camisinha e distribuição de amendoim de Viagra, o ex-prefeito de Bocaiúva do Sul tem um novo desafio: chegar à presidência da Federação Paranaense de Futebol (FPF).

Numa disputa que parece polarizada entre o atual presidente da FPF, Hélio Cury, e o secretário-chefe da Casa Civil do governo do Estado, Rafael Iatauro, Berti manda um recado aos ?cavalos paraguaios?: está na disputa para ganhar.

O próprio Berti assume o papel de zebra na eleição marcada para o próximo dia 18 (sexta-feira). Mas garante que tem força para tornar-se uma surpresa. Ele aposta principalmente em seu bom trânsito no futebol amador, onde já foi dirigente e até treinador. Mas acredita que também terá apoio de alguns clubes profissionais.

Berti não quer briga com o grupo do ex-presidente Onaireves Moura, mas ressalta que sua chapa é a única que não conta com nenhum integrante da antiga administração. Em entrevista à Tribuna, ele conta alguns de seus projetos para a FPF, que desta vez não incluem nenhum agrado a visitantes de outros planetas.

Tribuna – Sua candidatura foi uma surpresa para muitos. Como surgiu a idéia de disputar a presidência da FPF?

Élcio Berti – Eu sempre acompanhei o futebol do Paraná, desde 1966, quando cheguei a Bocaiúva do Sul. Sempre estive no meio. Depois, assumi a Prefeitura de Bocaiúva e fiquei quase dez anos. Aquilo me deu uma boa experiência administrativa. Agora, fui procurado por companheiros do futebol amador e decidi sair candidato.

Tribuna – Qual é o principal desafio para o próximo presidente?

Berti – A situação é precária em termos financeiros, mas existem meios para solucionar. O Pinheirão é um grande patrimônio. Temos muitos setores com quem podemos negociar. Se o próximo presidente quiser pagar a dívida da FPF com o que arrecada o futebol do Paraná, será muito difícil. Como ainda tem o Pinheirão, podemos colocar em negociação, sanar a situação e começar vida nova. Não existe bicho de sete cabeças.

elcioberti02060408.jpgTribuna – O senhor é ligado ao futebol amador. Conversou também com os clubes profissionais?

Berti – Fizemos contatos com vários dirigentes e todos nos incentivaram. Tenho um grande amigo que, se fosse votar, tenho certeza que estaria conosco, que é o Giovani Gionédis.

Me espelhei muito nele como dirigente de futebol e ele nos ensinou muito. A vantagem é que 90% nos conhecem e isso tem ajudado muito. Talvez haja alguma surpresa para muitos e alguns clubes profissionais votem na nossa chapa.

Tribuna – Acredita que o ex-presidente Onaireves Moura ainda tem força para influenciar o resultado da eleição?

Berti – O Moura é um elemento muito respeitado no futebol amador do Paraná, que é um dos mais fortes do Brasil e deve muito a ele. A chapa do Iatauro é criticada por ter muitos integrantes que participaram da administração do Moura. Eu não tenho nada contra. Ali tem elementos bons, que se doaram nesses anos todos. Não conversei com o Moura, mas acredito que ele não vai se envolver.

Tribuna – O que o senhor acha da fórmula atual do Campeonato Paranaense?
Deve haver mudanças?

Berti – Acho que compete aos clubes uma definição. Imediatamente, a partir do momento que eu assumir a FPF, vou chamar os clubes para tomar um direcionamento para o nosso futebol.

Compete a eles decidir se está bom ou deve mudar.

Tribuna – É necessária uma reforma no estatuto da FPF?

Berti – Nosso estatuto está viciado. Chegou-se ao ponto de falar que a eleição poderia ser aberta. Tem que ser secreta.

Se fosse aberta, não precisaria nem fazer eleição, pois já saberíamos o vencedor. Mas sendo fechado, muita coisa pode acontecer. Em várias eleições, no tempo do Moura, só ele ganhava, porque ninguém tinha coragem de ir contra. Os clubes amadores eram gratificados com tantas coisas que o Moura dava, que chegava na eleição, com voto aberto, todo mundo se sentia intimidado e votava nele.

Tribuna – Curitiba é candidata a ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Qual o papel da FPF nessa disputa?

Berti – Temos que ir à CBF, pegar o dirigente e falar: ?Eu sou presidente da FPF e exigimos o nosso direito?. Depois de São Paulo e Rio de Janeiro, o estado que tem mais condições de sediar uma Copa do Mundo é o Paraná. E na nossa gestão isso vai acontecer. Tenho certeza. A Estrada da Ribeira ficou 50 anos sem ser transitada.

Quando eu falava que iria fazer o asfalto, ninguém acreditava. Levou oito anos, com projetos diferenciados, polêmicas sobre camisinha, Viagra, ovniporto, mas acabamos chamando a atenção para o problema e hoje a estrada está totalmente afastada. Temos que nos impor. Comigo na FPF, se a coisa não funcionar de uma forma, de outra funciona. Quem vai sair ganhando é o futebol do Paraná. Não ficaremos de braços cruzados.

Tribuna – O senhor tem algum projeto polêmico como esses para a FPF?

Berti – Posso garantir que não pensei em fazer ovniporto no Pinheirão. Seria uma coisa muito importante, se tivéssemos discos voadores para nos deslocar por aí. Mas como isso ainda não existe, vamos continuar viajando de ônibus e avião mesmo.

Tribuna – Está confiante em um bom resultado na eleição?

Berti – Espero que os clubes e ligas votem conscientes. Não se deixem levar por promessas de bolas, arbitragem ou outra coisa. Que votem naquele que acham o melhor. Nunca adotei a prática de oferecer vantagens em troca de votos. Tomara que eles não se deixem influenciar e nós possamos chegar em primeiro. Aqueles não acreditam em nossa candidatura estão dando a oportunidade de chegarmos lá. Nosso cavalo está preparado, e não é paraguaio. Se não colocarem veneno na comida dele, a parada está liqüidada.