O pronunciamento feito ontem, no final da manhã, pelos jogadores do Paraná Clube, marcou mais um capítulo negro na história do Tricolor, que desde que caiu para a Série B do Campeonato Brasileiro, em 2008, vive uma crise financeira que parece não ter fim. Nas últimas semanas, a série de reportagens SOS Paraná, produzida pelo Paraná Online, mostrou histórias semelhantes e até piores do que o atual momento que vive o time paranista e provou aos dirigentes que é possível sim sair de vez do atoleiro.

Depois do rebaixamento sofrido em 2011 para a Segunda Divisão do Campeonato Paranaense, a temporada de 2014 tem sido disparada uma das piores do Paraná Clube nos últimos tempos. Depois da greve realizada pelos jogadores no início de julho, quando o grupo se recusou a disputar um jogo-treino contra o Coritiba e da carta aberta divulgada pelos jogadores na semana passada pedindo o apoio do torcedor tricolor, ontem, o elenco paranista deu um ultimato à diretoria, e confirmou, que se os salários – que estão de dois até sete meses atrasados – não forem pagos até terça-feira, uma nova paralisação vai acontecer.

Na série de reportagens SOS Paraná, muitas soluções adotadas por alguns clubes do futebol brasileiro que viveram situações semelhantes foram mostradas. O Criciúma, que chegou a cair para a Série C e por pouco não foi parar na Quarta Divisão, é o exemplo que mais se assemelha ao caso do time paranista. Quando o Tigre estava próximo de até mesmo fechar as portas, o empresário Antenor Angeloni assumiu o comando do clube e deu novos rumos para o time catarinense, que hoje está na Série A.

O Paraná, por sua vez, buscou nas últimas semanas uma nova fonte de receitas quando acertou o patrocínio da Racco Cosméticos até o final do ano que vem. O caso, em menores proporções, é semelhante com a situação do Criciúma. Apaixonado pelo Tricolor, Luiz Felipe Rauen ressaltou que quer ajudar o time paranista a sair da crise, mas frisou que também espera o retorno de marketing ao ligar a sua empresa com as cores do seu clube do coração.

Outros bons exemplos de administração mostrados para o Paraná Clube foram os casos da Chapecoense e do Luverdense, que estão disputando as Séries A e B, respectivamente, e que conseguiram rápida ascensão dentro do cenário do futebol nacional nos últimos anos. Profissionalização no departamento de futebol, gestão com base no planejamento, transparência, responsabilidade e comprometimento, trabalhar com os pés no chão, investir nas categorias de base, pagamentos em dia e a geração de novas receitas foram algumas das dicas passadas pelos dirigentes de outros clubes para o Tricolor sair da crise atual em que se encontra.

Só piora

Apesar de ter boas opções para tentar tirar o Paraná Clube do atoleiro, a diretoria pouco fez nos últimos tempos. Pior: os jogadores cobraram ontem respostas dos dirigentes, que desapareceram dos treinamentos e não passam nenhuma perspectiva ao grupo quanto ao pagamento dos salários atrasados.

Para piorar a situação, no início deste mês, o vice-presidente de marketing do Paraná, Jeferson Tahuny, entregou o cargo por algumas divergências de ideias com a atual diretoria. O publicitário, que estava encabeçando diversas ações de marketing dentro do clube para fortalecer a marca e buscar novas fontes de renda para tirar o Tricolor da crise financeira, teve que deixar todo esse trabalho para trás e, até agora, nenhum substituto assumiu o cargo e esta área do clube está em stand by.

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