Embora São Paulo e Palmeiras estejam próximos de viver mais um capítulo de histórica rivalidade no confronto deste domingo, no Pacaembu, pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, o jogo irá marcar o reencontro de dois velhos amigos no futebol. Luiz Felipe Scolari travará um duelo com Emerson Leão, que, motivado por esta amizade, evitou declarações ofensivas nesta semana de preparação para o duelo.

Ao comentar a partida que travará com o comandante são-paulino, Felipão fez elogios ao companheiro de profissão e lembrou que ele o ajudou a abrir as portas para entrar em um grande clube brasileiro, há 24 anos. “Quando comecei a carreira de treinador, ele era o técnico do Sport e foi campeão. Ao sair do Sport, fez a indicação do meu nome, e isso lá em 1987. Ou seja, temos um ambiente e uma afinidade muito legal”, afirmou Felipão, na última sexta-feira, em entrevista coletiva.

Em seguida, o comandante garantiu que, por trás do estilo disciplinador e muitas vezes intempestivo de Leão com seus comandados e com a imprensa, se esconde um homem de bom caráter. “Alguns podem não gostar dele pela forma de agir, mas o Leão é uma grande pessoa. Sempre tive amizade e faço brincadeiras com ele que muitos nem se atrevem a fazer”, acrescentou o técnico.

Leão, por sua vez, sugeriu uma iniciativa curiosa nos últimos dias, que serviria para estreitar ainda mais a boa relação que mantém com Felipão. Ele propôs de os são-paulinos treinarem um dia no CT do Palmeiras, e os palmeirenses fazerem o mesmo no CT do São Paulo. E pregou respeito ao clube alviverde, que vive uma temporada ruim e apenas na rodada passada livrou de vez o risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

“Não é hora de provocar o vizinho. O Palmeiras sempre será digno por tudo que é e o que foi. E como eles (do Palmeiras) estão aqui ao lado, vou ver se converso com o (Luiz) Felipe (Scolari) para fazer um treino coletivo aqui na quarta e outro na sexta, do lado de lá, para ficarmos mais próximos. Compete aos dois não alimentar de forma errada essa rivalidade”, comentou Leão, se referindo ao fato de que os centros de treinamento de são-paulinos e palmeirenses são separados por um muro.

O respeito de Leão ao Palmeiras não é para menos. Ex-treinador do time do Palestra Itália, ele foi o segundo jogador que mais vestiu a camisa do clube, com 617 jogos, ficando atrás apenas de Ademir da Guia, com 901.