A semana turbulenta que começou com a derrota para o Avaí no domingo, se estendeu no Atlético e ontem após o empate em 2×2 com o Vasco, na Arena da Baixada, novo capítulo da crise do clube veio à tona. Os três pontos pareciam estar garantidos, pois aos 23 minutos do primeiro tempo o Furacão vencia por 2×0. Mas na etapa final, o time cedeu o empate aos cariocas e a situação desandou mais um pouco.

O capitão Paulo Baier, autor do primeiro gol rubro-negro, que saiu comemorando no intervalo, principalmente por ter sido criticado após o jogo com o Avaí, não conseguiu assimilar bem o empate e o técnico Antônio Lopes foi alvo direto, em mais um reflexo da situação delicada que o Atlético enfrenta neste Campeonato Brasileiro.

A permanência constante na zona do rebaixamento tem tornado o clima no clube mais periclitante ainda. A cada passo sem sucesso, um novo item aparece. “Nosso time é muito juvenil, tem muita garotada e no Campeonato Brasileiro não aguenta. Está cheio de gente experiente no banco e ele [Lopes] não bota para jogar”, reclamou o capitão, na saída do gramado.

As declarações de Paulo Baier são apenas mais um agravante na semana complicada que o clube enfrentou, desde a derrota que sofreu para o Avaí. Na sequência do resultado negativo, o presidente Marcos Malucelli anunciou as saídas de Paulo Rink, que estava na gerência do futebol, e do meia Madson.

Mas Lopes, experiente até em gerenciamento de crises em clubes, pelos tantos anos como treinador, não quis polemizar ainda mais o caso. O velho delegado preferiu o discurso ameno e de “apoio” ao capitão. Para ele, tal postura não terá interferência alguma no convívio do grupo, ou ocasionará qualquer tipo de racha no elenco. Para o Delegado, as declarações de Paulo Baier são compreensíveis pela situação em que o empate foi construído e que precisa ser assimilado pelos colegas de time.

“Divide nada. Isso todo mundo sabe, que o rompante dele tem que levar em consideração e o grupo vai levar, por esta situação de estar vencendo por 2×0 e ceder o empate”, disse Lopes. O treinador justificou ainda que não colocou jogadores experientes que estavam no banco, como Wendel e Marcelo Oliveira, para as entradas de Jenison e Adaílton, pela necessidade da equipe no segundo tempo, precisando de jogadores que fossem para o ataque para tentar assegurar uma vitória. “Precisávamos entrar com estes atacantes que tínhamos. Não adiantava nada colocar laterais, meio de campo porque a pressão seria muito maior”, justificou Lopes.