A ideia da Arena Atletiba, lançada no ano passado pelo ex-presidente do conselho deliberativo do Atlético, Mário Celso Petraglia, começou a ganhar corpo, mas com outras cores. Sigilosamente, Coritiba e Paraná Clube conversam há pelo menos dois meses para erguer, no terreno hoje ocupado pelo Pinheirão, a Arena Paratiba.

O novo estádio seria construído pela Andrade Gutierrez e o mentor do projeto é o vice-presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade. O investimento seria para erguer um estádio de 45 mil lugares, mais um ginásio de esportes ao lado.

O Atlético chegou a ser convidado para participar do projeto, mas declinou. O presidente Marcos Malucelli teria dito que a Arena da Baixada será concluída nem que seja em 10 anos, e com recursos próprios do Rubro-negro, caso o clube não atraia uma parceria para cumprir o caderno de encargos da Fifa para a Copa do Mundo de 2014.

Sucessivas reuniões têm ocorrido para viabilizar a Arena Paratiba. A primeira delas foi com a Andrade Gutierrez, que vai explorar comercialmente o complexo esportivo.

A empreiteira será a dona do empreendimento e dará a prerrogativa para Coritiba e Paraná se beneficiarem da obra. Como contrapartida, o Tricolor repassaria a área da subsede do Tarumã para a construtora, que poderá erguer um conjunto imobiliário no local.

Outras reuniões aconteceram com o presidente da Federação Paranaense de Futebol, Hélio Cury, e com o novo prefeito de Curitiba, Luciano Ducci que, para dar seu aval, exigiu a construção do ginásio – espaço público que a cidade não dispõe atualmente.

Já a FPF repassaria o terreno ocupado pelo Pinheirão ao poder público municipal, que cederia a área para a construtora. Nesta transação, seriam quitadas as dívidas da federação com IPTU – perto de R$ 16 milhões -, mas daí precisaria se resolver outros imbróglios jurídicos.

O estádio hoje é alvo de uma série de penhoras, que vão desde o INSS até o próprio Atlético, que cobra pelo não cumprimento, por parte da FPF, do contrato “ad eternum” que assinou nos ano 1980 para se transferir ao Pinheirão. Toda a dívida envolvendo o estádio soma R$ 63 milhões, segundo recente balanço contábil da federação.

A solução para liberar o terreno para a construção do estádio se inspirou na que está permitindo ao Grêmio construir sua arena em Porto Alegre. O Olímpico foi cedido à construtora OAS, que construirá um estádio de 60 mil lugares para o tricolor gaúcho no bairro Humaitá, cuja área foi cedida pela prefeitura da capital do Rio Grande do Sul.

Outro detalhe é que a Arena Paratiba não pretende concorrer com a Arena da Baixada para sediar jogos do Mundial 2014. O objetivo é que a obra sirva apenas para trazer mais conforto aos torcedores de Coritiba e Paraná e gere novos negócios para os clubes.

O projeto, inclusive, recebeu o aval do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que foi apresentado ao plano durante o arbitral da Série B, no Rio, há duas semanas. Teixeira foi receptivo ao empreendimento e entendeu que ele poderia servir como um plano B para Curitiba, caso a Arena da Baixada não se viabilize para a Copa do Mundo de 2014.