São Paulo  – O lobby pela reabertura dos bingos tem nas entidades esportivas um forte aliado político. Na próxima semana o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebe uma comissão formada por dirigentes de federações de todo o País, que tentarão convencê-lo da importância da atividade para o esporte.

O presidente da Federação Aquática do Rio de Janeiro (FARJ), Marcos Firmino, integrará a comissão e tentará mostrar a Lula sua preocupação com a possibilidade de ocorrer um esvaziamento na renovação de atletas nos esportes aquáticos. No caso da FARJ, ela recebe R$ 6.600 por mês dos clubes filiados. “É um valor pequeno para manter a federação. Contamos com a ajuda dos bingos e da Prefeitura do Rio para nos manter em atividade e conseguir realizar em torno de 62 competições por ano.” Sem a ajuda, o dirigente diz ser inevitável ter de demitir funcionários, reduzir investimentos e ainda diminuir o números de eventos.

“Temos de lembrar que estas casas só foram autorizadas a funcionar (pela Lei Zico, de 1993) com o objetivo de auxiliar o esporte, por isso queremos a reabertura”, explicou o presidente da Federação Paulista de Atletismo (FPA), José Antônio Martins Fernandes. “Mas desde que as casas sejam devidamente regulamentadas”, adiantou-se. A FPA recebeu, por 4 anos, R$ 10 mil por mês, metade de cada um dos bingos Monte Carlos e Gran Bingo, ambos da capital paulista.

“Sem essa verba (equivalente a 30% da receita da entidade), o investimento na formação de atletas está fatalmente comprometido e várias competições serão canceladas”, ameaçou o dirigente.

Amanhã ele se reúne com os conselheiros da FPA para definir quais provas serão cortadas do calendário. Fernandes ressalta, no entanto, que os 7% definidos por lei nunca foram repassados à sua federação. O acordo, num valor fixo, é a forma viável, segundo ele, encontrada por muitos dirigentes para não deixarem de receber a verba.

“A gente não tem mesmo como fiscalizar e o governo também não faz isso. Então, é melhor termos algo garantido do que nada.”