Bateu na trave a tentativa do Flamengo de contar com o meia Éverton imediatamente. O Paraná Clube manteve posição firme e não abriu mão de seu principal jogador para a seqüência da Série B. A definição ocorreu ontem à tarde, numa reunião entre o presidente Aurival Correia e o vice de futebol do time carioca, Kléber Leite.

Se em campo Éverton tem infernizado zagueiros e volantes, fora dele a diretoria já teve que driblar Internacional, Santos e Flamengo para não perder sua referência nessa luta pela volta à primeira divisão nacional.

“Havia dado minha palavra de que o Éverton permaneceria para a disputa desta Série B. E estou cumprindo”, disse o presidente Aurival Correia. A transferência do meia para o Flamengo só deverá ocorrer no início do ano que vem, num acerto entre o rubro-negro e a Traffic, empresa que hoje detém os direitos do atleta.

A venda do jogador (o Tricolor detinha apenas 15% dos direitos econômicos) fora definida há dias e ontem a sua transferência para o Desportivo Brasil – clube paulista, através do qual a Traffic negocia seus jogadores – foi registrada ontem pela CBF.

As últimas jornadas só serviram para evidenciar o quão importante é Éverton para o atual elenco tricolor. Tímido e de poucas palavras, ele não tem perfil de líder. Mas, em campo, todas as jogadas criativas do Paraná passam por seus pés.

Mesmo tendo marcado apenas quatro gols na temporada (dois deles nesta Série B), o meia transformou-se na principal referência de um clube que ainda não “decolou” na competição.

Enquanto a comissão técnica busca um atacante de referência, capaz de transformar em gols as oportunidades criadas, Éverton vai fazendo o que pode, correndo, driblando e finalizando.

Em meio aos boatos sobre o seu futuro, Éverton tem driblado não apenas os marcadores em campo, mas também a imprensa fora das quatro linhas. O desconforto fica estampado no seu rosto sempre que o assunto deixa de ser os jogos e os próximos adversários.

Nesta Série B, pouquíssimas vezes Éverton esteve presente às coletivas pós-jogo, por mais que em boa parte dos jogos tenha sido o melhor jogador do Paraná em campo. No íntimo, Éverton não esconde o desejo de fazer do Tricolor novamente um clube de primeira divisão.

Só que para isso, apenas dribles e gols não são suficientes. Recentemente, o Paraná já provou o amargo sabor de contar com um artilheiro nato – Josiel balançou as redes 20 vezes e foi o artilheiro da competição -e mesmo assim ser rebaixado.

Agora, tem um meia capaz de desequilibrar, mas se ressente da ausência de um homem-gol. “Estamos fazendo o possível para melhorar a condição desse grupo. Acredito que com a permanência no Éverton, temos caminho aberto para fechar o ano de forma positiva”, arrematou Aurival Correia.