Perto das 18h de ontem, Carlos Adriano de Souza Vieira, 33 anos, acabava de retornar ao lar. Desempregado, ele gastou parte do tempo do dia buscando os filhos em uma escola curitibana. Logo depois, pretendia esquentar o sofá de casa: era noite de futebol na TV, uma programação comum entre qualquer cidadão brasileiro.

No entanto, apesar do ambiente simples, Carlos Adriano sabia que não era um programa qualquer. O jogo em questão era o último passo do Internacional para seu segundo Mundial de Clubes da Fifa. O primeiro foi em 2006.

Eis o elo entre esse cidadão de Maceió e o jogo de ontem em Porto Alegre. Na final do Mundial em 2006, quando faltavam aproximados 15 minutos para o apito final, Carlos Adriano entrou para a história do Internacional. Carlos Adriano, na ocasião atendendo pela alcunha Gabiru, marcou o gol da maior conquista colorada, em Yokohama, no Japão. Tombou o poderoso Barcelona de Iniesta e Ronaldinho.

A cena de ontem contrastou com a situação de 2006, quando Adriano Gabiru foi recebido com festa de gala na capital paranaense. Momentos inglórios fizeram parte da carreira do jogador, que também foi herói no Atlético campeão brasileiro de 2001 e no Guarani vice-campeão da Série B 2009.

Sem clube desde o carnaval, Adriano atualmente se exercita sozinho em uma academia perto da casa onde vive. No início do ano, ele chegou a receber resposta negativa sobre um pedido para apenas treinar no CT do Atlético.

“Nem queria dinheiro. Tenho como cuidar de minha vida. Precisava de um ambiente pra correr e bater bola, mas o presidente Marcos Malucelli não permitiu”, lamenta.

Situação similar Gabiru passou no Colorado, quando foi esquecido da festa de um ano do título mundial de 2006. No entanto, não guarda rancores. “Sempre que chamaram, eu compareci. Guardo um carinho especial por Inter e Atlético. Gostaria de voltar a vestir a camisa de um desses clubes. Quero jogar mais um pouco antes de encerrar a carreira. Não é nem por dinheiro. Uma hora aparece nova oportunidade”, conclui.