Há cerca de um ano, Kemarley Brown e Andrew Fisher decidiram substituir as cores da Jamaica pela bandeira do Bahrein. Os velocistas solicitaram a mudança de nacionalidade com a esperança de disputar a Olimpíada do Rio, afinal, a concorrência nos 100 metros em seu país de origem esbarra nos astros Usain Bolt, Asafa Powell e Yohan Blake.

“Decidi ir a um lugar menos competitivo para entrar na equipe. Todo mundo quer ir para os Jogos Olímpicos”, justifica Brown. O atleta conta que gostava de representar a Jamaica, mas que não viu outra maneira de continuar perseguindo seu sonho olímpico.

A explicação de Fisher segue o mesmo raciocínio. “Achei que seria mais fácil fazer parte de uma equipe e poder focar somente no treinamento e tentar correr mais rápido do que na última temporada.” No ano passado, ele completou a prova em 9s94. A melhor marca de Brown é apenas um centésimo melhor que a do compatriota: 9s93, em 2014. Para efeito de comparação, Bolt ainda não mostrou todo o seu potencial nesta temporada e já assegurou 9s88.

A competitividade na Jamaica começa desde cedo. O “Champs” (campeonato para meninos e meninas) reúne 3 mil alunos, divididos por categorias de acordo com a faixa etária – de 10 a 19 anos. Aos 23, Brown reconhece que a disputa interna era mais divertida entre os jovem. “Quando você é mais novo você se diverte mais, não há tanta pressão.”

E não há “refresco” para quem quer disputar a Olimpíada. “Tentar estar entre os três melhores o tempo todo e saber que alguém está atrás de você tentando te superar, ser mais rápido que você é realmente um trabalho duro”, afirma Fisher.

Com emoção garantida em qualquer idade, o apoio dos torcedores é inegável. Milhares de fãs vão ao National Stadium, em Kingston, para as principais competições. Os dois atletas exaltam a paixão dos jamaicanos e o empurrão dado aos atletas, especialmente às grandes estrelas. “Nós temos Usain Bolt e Shelly-Ann (Fraser-Price), todo mundo quer vê-los competir”, diz Brown.

Ser da mesma origem de Usain Bolt levou Kemarley Brown e Andrew Fisher a fechar um acordo com o Bahrein, mas ter nascido no país do multicampeão olímpico e mundial também é um estímulo para a dupla. “Te motiva a tentar ser melhor e ganhar deles. Ainda que seja difícil, não é impossível”, acredita Fisher.