Um dos principais executivos da Traffic negocia uma delação premiada com a Justiça norte-americana, em uma iniciativa que pode colocar em risco a posição do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e do ex-dirigente Ricardo Teixeira. Uma carta obtida pela reportagem revela que Aaron Davidson, presidente da Traffic nos Estados Unidos, está negociando um acordo para cooperar na investigação sobre as propinas da empresa para entidades esportivas, entre elas a CBF.

A carta foi enviada pelos procuradores do caso para a Corte Federal no Brooklyn, em Nova York. Nela, os procuradores apontam que Davidson estava “ativamente comprometido em negociar um acordo”.

O executivo foi preso em maio, na operação do FBI contra a Fifa. À reportagem, fontes próximas ao caso confirmaram que a iniciativa envolvendo Davidson pode levar o processo a chegar mais perto dos brasileiros, principalmente no que se refere às propinas recebidas por membros da CBF para a Copa América.

Em uma das acusações, a Traffic negociou o pagamento de US$ 110 milhões em propinas para os dirigentes sul-americanos. Parte do pagamento, porém, seria destinado para eventos que ocorreriam já na presidência de Del Nero. A mesma Traffic teria compartilhado uma propina com Ricardo Teixeira no contrato com a Nike e negociado também nos Estados Unidos.

A esperança dos norte-americanos é de que o executivo possa explicar para onde foram as supostas propinas e como os pagamentos ocorreram. Enquanto isso, em Zurique, a ausência de Del Nero na reunião desta segunda-feira da Fifa significará para os demais cartolas o “silêncio” do Brasil no processo decisório da entidade e a perda de espaço no futuro.

Na última sexta-feira, o dirigente brasileiro enviou uma carta para a Fifa alegando que não poderia viajar diante da CPI do Futebol no Congresso. Nesta segunda, a Fifa realiza uma reunião de emergência para definir o futuro da entidade. Entre os dirigentes estrangeiros, a notícia da ausência do brasileiro foi muito criticada.

“O Brasil tem um peso no futebol mundial e não se pode imaginar que não esteja numa reunião como a desta semana”, disse um dirigente. “Este é ‘o’ encontro da Fifa”, enfatizou Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa. Segundo um representante da Oceania, a ausência de Del Nero pode ser “perigosa” para o Brasil”.