Walter Alves / Tribuna do Paraná
Dagoberto bem que tentou fazer a
diferença, mas ele e o time acabaram
humilhados pelos catarinenses em plena
Arena da Baixada.

Parece não haver mais fundo do poço para o Atlético. Depois de perder a invencibilidade de 19 jogos para o Coritiba, perder o título do Campeonato Paranaense para o arqui-rival, perder na estréia do Campeonato Brasileiro para o São Paulo (com dois jogadores a menos), agora resolveu levar um banho de bola do Figueirense (com um jogador a menos) no primeiro jogo com o ingresso a R$ 30,00, ontem, na Arena. Além da displicência dos jogadores na vexaminosa derrota para os catarinenses por 3 a 0, a insensibilidade da diretoria com os torcedores voltou a marcar mais do que o futebol em campo.

Enquanto parte dos torcedores acompanhava a partida do lado de fora, através de transmissão de rádio num caminhão de som, nas arquibancadas, os seguranças cumpriam as ordens de tentar abafar os protestos de parte dos 2.421 pagantes. Chegaram a bater em alguns, pediram a ajuda da Polícia Militar, mas não conseguiram impedir o coro contra o presidente do conselho deliberativo, Mário Celso Petraglia. A maioria queria a saída do dirigente e, olha que, quem protestou, pagou os R$ 30,00 estabelecidos pela atual diretoria.

Nem havia como impedir alguém de gritar nas arquibancadas. Relembrando alguns amistosos e partidas pelo estadual no sábado pela manhã, o público presente foi um dos piores da era Arena. Sem a presença da torcida organizada Os Fanáticos, qualquer xingamento era ouvido em qualquer parte e os jogadores sentiram a ira dos aficcionados do próprio clube. Somou-se aos protestos fora do estádio a indignação contra uma equipe mal treinada, sem alma, sem ambição e atletas brincando de jogar no Atlético.

Tudo isso levou à ironia. Enquanto o Alvinegro do Estreito se segurava com apenas dez em campo e buscava a vantagem nos bons contra-ataques e na maestria do meia Sérgio Manoel, a torcida atleticana se voltava contra a própria equipe. Vaias e gritos de “fora Ilan” quebravam o zum-zum-zum nervoso na arquibancada. O ápice foi a marcação de pênalti para o Rubro-Negro, cometido por Márcio Goiano em cima de Dagoberto. A torcida protestou contra a marcação, mas vibrou quando Ilan chutou a bola para fora, como se cobrasse um tiro de meta. “Ão, ão, ão, Ilan é seleção”. Lamentável. Na ida para os vestiários, apenas tentativas de explicações e discurso de buscar acertar os erros para corrigir no próximo jogo, quarta-feira, em Belém, contra o Paysandu.

Técnico ainda na estaca zero

O Atlético começa a viver uma situação inusitada na busca de um técnico para a equipe no Campeonato Brasileiro. Os treinadores contatados para vir trabalhar no CT do Caju parecem não estar dispostos a pegar um time de ambiente conturbado como o Rubro-Negro. A última recusa foi de Zetti, que não aceitou triplicar seu salário para continuar tocando o projeto do Paulista na Série B e ganhar mais experiência antes de comandar um clube de Série A.

Sem o ex-goleiro do São Paulo e da seleção brasileira, os dirigentes continuam mantendo contatos para trazer o substituto de Mário Sérgio, que largou a equipe após o estadual. “Vamos buscar um treinador à altura do futebol do Atlético”, promete o presidente do conselho deliberativo, Mário Celso Petraglia. A nova postura, talvez até em função dos vexames que o time vem passando, mostra uma guinada em relação às primeiras conversas. No início, a diretoria queria um técnico “emergente” e tentou Paulo Bonamigo, Cuca e Zetti.

“Fizemos vários contatos e estamos aguardando algumas respostas. Infelizmente, não teremos uma solução até amanhã (hoje) para a contratação do nosso técnico”, diz Petraglia. Ontem, nos bastidores, comentou-se a possibilidade de Marco Aurélio e até Márcio Araújo, mas os dois não foram considerados prioridades neste momento pelo dirigente. Já medalhões como Vanderlei Luxemburgo e Tite estão descartados devido ao alto salário solicitado. Para a partida de quarta-feira, contra o Paysandu, em Belém, o comando ficará a cargo do interino Júlio Piza, novamente.