Seria normal que, em um encontro do qual participassem os mais reconhecidos matemáticos do mundo, alguém tivesse de ensiná-los as quatro operações básicas? Ou então, o que dizer se a tradicional reunião do chá da Academia Brasileira de Letras (ABL) fosse interrompida para que seus ?imortais? praticassem gramática? Pois bem, guardadas as devidas proporções, é isso o que está acontecendo na seleção brasileira. Em vez da ?Família Scolari?, o que se vê é a ?Escolinha Scolari? de futebol.

Em plena disputa da Copa do Mundo, onde, em teoria, estão os principais atletas do mundo, boa parte do tempo investido pela comissão técnica da seleção brasileira nos treinamentos visa a aperfeiçoar pontos básicos. O desempenho do time em questões como passe e finalização tem sido tão ruim que a sensação é de o treinador Luiz Felipe Scolari, às vezes, ter de ensinar seus jogadores, em uma autêntica ?aula? de futebol.

O próprio técnico, em uma de suas entrevistas na Coréia do Sul, lamentou a necessidade de um grupo formado por alguns dos mais badalados jogadores do mundo e avaliado em, aproximadamente, US$ 300 milhões, precisasse de certos ?cuidados?. ?Eles (atletas) deveriam ter aprendido isso (fundamentos) com 14, 15 anos. Mas fazer o quê?? perguntou o comandante, em tom de lamento. ?Não tenho o que dizer sobre isso. Nós treinamos todos os dias, todo mundo vê.?

Alguns momentos chegaram a ser tão marcantes quanto constrangedores. O primeiro foi durante um dos coletivos que precederam a estréia contra a Turquia. Os atacantes chegaram a errar oito cobranças de pênaltis seguidas. Poucos dias depois, o problema se repetiu. Desta vez, o atacante Ronaldinho Gaúcho precisou de várias tentativas para, em cobrança de falta, colocar a bola onde queria Scolari.