Luiz Felipe Scolari não gostou
da produção da defesa.

Nem mesmo a vitória por 2 a 1 contra a Turquia, na estréia da Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão, pareceu demover o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, de uma velha, e contestada idéia: a de mudar o time. Ao mesmo tempo em que acena com a possibilidade de manter a formação que começou a partida diante dos turcos, o treinador brasileiro faz questão de citar que, frente os chineses, no sábado, é possível que uma alteração seja realizada.

O setor mais visado é a defesa. Em suas entrevistas, Scolari não escondeu o descontentamento com a forma como seus zagueiros se comportaram. Chegou a dizer que, em uma Copa do Mundo, “às vezes zagueiro tem de jogar como zagueiro, dando bico para o mato”. Sem citar nomes, o técnico criticou o preciosismo. “Não tem essa de sair com dribles”, afirmou.

Os três jogadores do setor, Edmílson, Lúcio e Roque Júnior, apresentaram essa “falha” ao longo do jogo. Assim, se o problema persistir nos treinamentos desta semana, crescem as possibilidade de Anderson Polga figurar entre os titulares. “Vamos resolver isso no coletivo de quinta-feira”, afirmou Scolari.

Atividades à parte, um detalhe já está definido. Não existe a menor chance de a seleção brasileira jogar no sistema 4-4-2, ou seja, com dois zagueiros. Isso por causa da maneira como a China é armada.

Segundo a comissão técnica brasileira apurou, os asiáticos jogam com dois atacantes avançados, fixos entre os zagueiros. Isso obrigaria a presença de três jogadores na defesa. Um em cima de cada atacante e o terceiro na sobra.

Alguns dizem que a mudança poderia ocorrer no meio. Nesse caso, Vampeta entraria no lugar de Gilberto Silva. A opção deixaria a equipe mais ofensiva, já que o jogador do Corinthians é mais eficiente no apoio ao ataque, enquanto seu companheiro se destaca na marcação, função até então exercida por Emerson, cortado na véspera por causa de uma contusão no ombro direito.

Contudo, o bom desempenho de Gilberto na estréia torna essa hipótese menos provável. Contudo, a fragilidade da equipe chinesa não justificaria um meio-campo muito marcador. O treinador da seleção pediu à Rede Globo as fitas com as jogadas do Brasil na partida contra a Turquia.

Bons tempos

O treinador da seleção aproveitou para, mais uma vez, mandar um recado àqueles que ficaram desapontados com a forma como o Brasil se apresentou frente a Turquia. Esse deve ser o sentimento dos que esperam o futebol-arte. “Jogar bonito já passou o tempo. Não é preciso ter criatividade, mas sim fazer gols”, afirmou.

Dessa forma, Scolari tentava explicar a fraca atuação de Ronaldinho Gaúcho. “A cobrança sobre o Ronaldinho é a mesma que aconteceu em cima do Ronaldo e do Rivaldo em 1998. Voltou a repetir, ele (Ronaldinho Gaúcho) não é o salvador da pátria.”

Polêmica

Mesmo sem disfarçar o constrangimento, o técnico do Brasil procurou ficar ao lado de Rivaldo na polêmica em que se tornou a simulação que fez diante da Turquia. Ao ser atingido por uma bolada na perna, o meia levou as mãos ao rosto. O “teatro” custou a expulsão do zagueiro Alpay e provocou a ira e indignação dos turcos. “O Rivaldo levantou a mão para se proteger da bola. Não sei porque no Brasil todos querem que ele seja punido”, lamentou.

Ricardinho se atrasa em 24 horas

Silvio Barsetti e Wagner Vilaron

Ulsan, Coréia do Sul (AE) – Um imprevisto acabou adiando por 24 horas a apresentação do meia Ricardinho, do Corinthians, à seleção brasileira. O avião da Korean Airlines que o conduzia de Nagoya, em Tóquio, a Busan, cidade vizinha a Ulsan, não teve autorização para pousar por causa de intenso nevoeiro. O vôo, então, retornou para Nagoya. Durante toda a tarde de ontem (horário coreano), no hotel que hospeda a seleção, a expectativa era a da chegada do substituto de Emerson, cortado devido a uma luxação de ombro.

Cada táxi que surgia na esquina mais próxima era logo cercado por cinegrafistas. O chefe da delegação brasileira na Coréia do Sul, Weber Magalhães, e o gerente de Transportes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Volpe, seguiram de carro para o Aeroporto de Busan, a fim de buscar Ricardinho. Lá, foram informados sobre a mudança de rota do vôo, depois de algumas horas de espera.

O jogador deixou São Paulo na noite de domingo, seguindo pela United Airlines até Los Angeles, onde fez conexão com um avião da Japan Airlines (Jal) que o levou para Tóquio. Depois, seguiu para Busan. Ao todo, Ricardinho viajou cerca de 40 horas. Ele ficou de se integrar à seleção hoje à tarde (pela manhã, em Brasília).

Ricardinho dispõe do passaporte europeu, mas utilizou o do Brasil quando embarcou em São Paulo. Este estava no último dia de validade. A embaixada do Brasil no Japão tinha sido acionada pela direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para dar assistência ao atleta durante a pernoite em Tóquio.

Como ele fora convocado numa situação de emergência, não teve tempo de conseguir o visto para ingressar no Japão. A Coréia do Sul não exige visto para brasileiros.