Luiz Felipe Scolari foi incisivo ao afirmar, nesta terça-feira, que pretende mexer na forma de jogar da seleção brasileira para dar mais consistência defensiva à equipe. Em entrevista coletiva, o treinador indicou que viu diversas deficiências no primeiro jogo da equipe sob seu comando, um mês atrás, contra a Inglaterra, e que vai mexer no posicionamento do time. “Não quero deixar meus zagueiros no mano a mano. Não vou deixar. Meus zagueiros não vão ficar expostos toda hora no mano a mano”, disse ele, mostrando-se convencido da opção.

Essa mudança de postura foi notada claramente na lista de convocados para os amistosos contra Itália (dia 21, em Genebra) e Rússia (dia 25, em Londres). Se para enfrentar a Inglaterra Scolari só chamou volantes que saem para o jogo (Arouca, Hernanes, Paulinho e Ramires), agora resolveu dar espaço a jogadores mais marcadores, como Luiz Gustavo, do Bayern de Munique, e Fernando, do Grêmio.

Ao explicar a opção pelo volante gaúcho, Felipão deixou claro suas intenções. “Pelas características, ele pode ser aquele jogador que eu acho que seja o mais indicado para a posição, porque não gosto de deixar exposta a minha defesa, sem um jogador com características defensivas.”

Durante a entrevista coletiva, em diversos momentos Felipão indicou que pretende que a seleção brasileira tenha uma estrutura tática mais protetora, dando espaço para os jogadores mais talentosos com a bola nos pés brilharem. “Comigo não tem esse negócio de que volante tem que chegar na frente e tal. Eu tenho que não tomar o gol. Se não tomarmos nenhum gol, na frente meu time vai fazer pelo menos um e vencemos por 1 a 0.”

Foi também argumentando a favor da estrutura de marcação que Felipão explicou a convocação de Diego Costa, atacante de 24 anos, do Atlético de Madrid, que recebe sua primeira chance na seleção. “É um atleta que tem uma característica importante para o grupo. É muito forte, sabe guardar posição. Faz com que atletas que joguem ao seu lado desfrutarem de uma posição melhor, porque ele luta muito”, explicou.

Ao fim da derrota por 2 a 1 para a Inglaterra, um mês atrás, em Londres, Felipão elogiou a equipe. Na semana passada, mudou o tom e disse que iria mudar o posicionamento do time nos próximos amistosos. Já nesta terça-feira ele deu mais detalhes de como pensa.

“O coletivo é mais importante do que qualquer coisa. Vi a Inglaterra bem organizada, bem postada, mas o meu time com algumas dificuldades quando perdia a bola. Aí vamos ter que corrigir esse posicionamento. Não podemos não dificultarmos saída de bola dos adversários. Temos que ter uma postura como equipe”, dando ênfase à última palavra.

Perguntado se mudaria o esquema tático, porém, Felipão foi evasivo. Só confirmou que vai mexer no time. “Provavelmente vou mudar o posicionamento dos atletas. A forma como nós entendemos que deveríamos jogar daqui para frente não é a mesma forma que jogamos contra a Inglaterra. Vou mudar um pouquinho só.”