Fernando Diniz é um idealista. Depois da carreira como jogador com passagens por grandes equipes, foi estudar. Foi se preparar para voltar ao futebol e tentar criar uma nova forma de comandar uma equipe. Se não pensava em uma revolução tática, queria implantar no Brasil o que todo mundo elogiava nas equipes mais técnicas do planeta. Queria um time que jogasse futebol, mantivesse a posse de bola, não fosse covarde. Enquanto treinou equipes do interior paulista, principalmente o Audax, onde deu trabalho aos clubes grandes, foi dado como excêntrico. A chance da sua vida veio no Paraná Clube.

Nova era

Foi uma tacada da diretoria tricolor, que mudou por completo a filosofia de jogo. Com Nedo Xavier, era uma equipe que jogava no erro do adversário. Marcava e depois pensava em atacar. Diniz priorizava o controle do jogo. A posse de bola era uma obsessão trabalhada nos treinos e perseguida nos jogos. Seu estilo encantou todo mundo, e o resultado é que ele teve carta branca para fazer o que bem entendesse no elenco tricolor.

Mudou muito. Inclusive na função das peças que tinha em mãos. Colocou lateral de meia, meia de lateral, foi pedindo jogadores que foram chegando e imediatamente virando titulares, sacou Marcos para colocar Felipe Alves, o goleiro que sabia sair jogando. A fórmula era arriscada, mas o Paraná dava suporte aos planos do técnico e os resultados eram razoáveis, levando em conta a mudança brusca de estilo e as evidentes carências do grupo paranista. Os números mostravam uma evolução e também que o elenco estava entendendo a nova forma de atuar. E foi o momento em que o Tricolor jogou melhor na temporada – uma temporada que foi sofrida para o torcedor.

Um outro lado do treinador

Por ser um idealista, Diniz não quis andar devagar. Poderia trabalhar com mais calma, mantendo o time no meio da tabela e visando a temporada 2016, pois era certo que ele ficaria – e ele chegou a dar declarações apoiando o presidente Leonardo Oliveira. Mas o respaldo e as garantias dadas pelo clube pareciam não ser suficiente. Ele queria mudar. Queria ser a surpresa da Série B mesmo sem ter peças para implantar mesmo o seu “tiki-taka”. Tinha pressa.

E aí começou a aparecer seu outro lado. Sem ver evolução do time, ia à loucura no banco de reservas. Passou a ter atitudes exageradas, quase brigou com Rafael Carioca, obrigou o elenco a ver o tape de um jogo quase à meia-noite, desprezou os jovens da base – Lucas Pará e Jean tiveram problemas sérios com ele. Eram muitos problemas em comparação com as soluções que ele poderia trazer para o clube. Sem contar as expulsões e reclamações constantes à beira do gramado.

Fritura

Assim, aquele apoio irrestrito foi se esvaziando. Tanto que logo que foi eleito, Leonardo Oliveira já não falava mais com convicção de que manteria o treinador. Aos poucos, Diniz foi fritado (inclusive por jornalistas) até ser definitivamente mandado embora. Já não estava mais nos planos do Paraná. A pressa do treinador foi decisiva. Mas ele segue firme em suas convicções.