Monza, Itália – Ninguém na Ferrari esconde mais. Se depender da equipe, Valentino Rossi troca as duas rodas pelas quatro em 2007, primeiro ano da era pós-Schumacher, caso o alemão pendure o capacete mesmo no final do ano que vem.

Ross Brawn, diretor-técnico da equipe, revelou ontem em Monza que o italiano, hexacampeão mundial de motociclismo, vai ter um programa especial e extenso de testes em Maranello.

É uma má notícia para Felipe Massa, que será titular em 2006, mas tem a garantia de apenas um ano de contrato. Os planos ferraristas, a julgar pelas declarações do dirigente, não incluem o brasileiro. Ao lado de Rossi, o time quer Kimi Raikkonen, cujo compromisso com a McLaren também termina no final da próxima temporada. ?Seria uma ótima dupla?, aprovou Brawn.

Rossi foi campeão das 125 cc em 1997, das 250 cc em 1999, das 500 cc em 2001 e da MotoGP em 2002, 2003 e 2004. Conquistará o título também neste ano, já que tem uma enorme vantagem para Marco Melandri, o vice-líder. No ano passado, fez um teste de brincadeira com o carro de Schumacher em Fiorano. Há um mês, andou de novo e a coisa foi mais séria. A quilometragem que percorreu já lhe valeu a superlicença, o documento exigido pela FIA para que alguém possa disputar uma corrida de F-1.

O mais difícil, na opinião do estrategista da Ferrari, é dar a Valentino a experiência de corrida com quatro rodas. ?Habilidade para ser rápido a gente já viu que ele tem. Mas é preciso colocá-lo com outros carros na pista?, falou.

Quando perguntado sobre a mudança de rumos de sua carreira, Valentino, que tem mais um ano de contrato com a Yamaha, desconversa. Diz que adora as motos e que o prazer sobre duas rodas é maior. Mas seu pai já declarou que o filho quer, sim, correr na F-1. E o fato de ter renovado por apenas uma temporada seria um indício de que no seu projeto de vida está vestir o macacão vermelho.