Ao pedir dispensa da seleção brasileira, o lateral-direito Rafinha deixou claro que pretende atuar pela seleção da Alemanha. Mas as chances de conseguir realizar o seu desejo não são muito boas. A pretensão esbarra no Estatuto do Fifa. Em 2005, ele defendeu o Brasil no Mundial Sub-20 e, por isso, para poder atuar por outra seleção, já teria de possuir dupla nacionalidade naquela época. Rafinha não tinha.

Os planos de Rafinha devem ir por água abaixo por causa da alínea 1 do artigo 8 do Anexo 3 do estatuto, de acordo com o advogado Eduardo Carlezzo, especialista em legislação esportiva. “Ele não vai conseguir a troca (de seleções). É impossível”, garantiu. Ele explica que para os jogadores que disputaram torneios de seleções da Fifa nas categorias de base é permitida uma troca, desde que já tenha nacionalidade da equipe que prefira defender. Rafinha ainda não é naturalizado alemão, embora já esteja no país há 11 anos.

Carlezzo cita dois precedentes contra o lateral-direito. O volante Fernando jogou Mundial Sub-20 em 2007 pelo Brasil e no ano passado a Federação Portuguesa foi à Fifa para que jogasse por sua seleção e recebeu um não. Também foi negado o pedido em 2013 da Federação Mexicana pelo meio-campo Rubens Sambueza porque ele havia defendido a Argentina no Mundial Sub-17, em 2001.

“Essa jurisprudência é a grande paulada. A Federação Alemã vai ter de encaminhar o pedido à Fifa e tem de solicitar à CBF a documentação. A CBF teria de passar para a Fifa todas as partidas que o Rafinha disputou por todas as seleções. A Fifa vai checar as datas e ver que não fecha (porque ele ainda não tem a naturalização alemã)”, disse Carlezzo.

A reportagem procurou Rafinha nesta quarta-feira, sem sucesso. Pessoas próximas ao jogador do Bayern de Munique consideram que Dunga o convocou para os jogos do Brasil nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018 só para que ele não viesse a defender a Alemanha – evitando o que ocorreu com Diego Costa, que optou pela Espanha e recusou uma convocação de Felipão.

Rafinha já havia revelado publicamente a sua intenção de jogar pela Alemanha. E Philip Lahm há cerca de um mês declarou que ele seria seu substituto ideal na seleção campeã do mundo. O técnico Joachim Löw já teria conversado com ele sobre essa possibilidade. Apesar disso, o lateral-direito usou a sua conta em uma rede social para negar isso. “Pedi a liberação da seleção porque não me vejo disputando uma vaga na lateral e não por estar trocando o Brasil pela Alemanha”, disse. Em outro trecho, escreveu o seguinte: “Estar tirando a dupla cidadania não significa que vou jogar pela Alemanha”.

Dunga, em sua primeira passagem pela seleção, o levou para a Olimpíada de Pequim, em 2008. Na ocasião, Rafinha, a contragosto, teve de brigar com seu clube, o Schalke 04, para ir à China. Depois disso, o técnico nunca mais o convocou.