O presidente da Fifa, Joseph Blatter, quer que os dirigentes do comitê executivo da entidade considerem a ideia de abolir a prorrogação na Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, para encorajar as seleções a serem mais ofensivas, depois de ver um Mundial, na África do Sul, no qual a maioria dos times primeiro se preocupou em se defender.

Blatter disse nesta quinta-feira que pretende impedir que as seleções sejam muito defensivas em jogos que muitas vezes acabam empatados depois de 90 minutos pelo fato de as equipes evitarem de tomar um gol “a todo custo”.

“Nos primeiros jogos da primeira fase na África do Sul, vimos equipes que não queriam perder, que buscavam o empate. É um tema que eu colocarei em discussão nas próximas reuniões das comissões técnicas e de futebol. É preciso encontrar soluções para movimentar os jogos nesse tipo de torneio, para que as equipes joguem para vencer. Da mesma forma, queremos discutir a prorrogação. Com frequência, as equipes procuravam não tomar gols durante a prorrogação. Passar diretamente à disputa nos pênaltis e adotar de novo o gol de ouro (gol marcado na prorrogação que define automaticamente o vencedor) são as opções. Vamos ver o que será decidido nessas comissões”, afirmou Blatter, em uma entrevista publicada pelo site oficial da Fifa.

A regra do gol de ouro foi aplicada pela Fifa nas Copas do Mundo de 1998 e 2002, quando os ataques das seleções tiveram um incentivo extra para buscar a vitória depois do empate no tempo normal.

Os dirigentes da Fifa irão se reunir novamente para discutir as regras e outras questões ligadas ao futebol em encontro no próximo dia 18 de outubro. Em seguida, um relatório sobre a reunião será apresentado ao comitê executivo da entidade nos dias 28 e 29 de outubro, em Zurique, onde novas decisões poderão ser implementadas.

Ao falar sobre o Mundial de 2010, Blatter disse que a Espanha mereceu ser campeã, mas admitiu que gostaria de ter visto um campeão que fosse de um continente que nunca festejou a conquista da competição. “Nós esperávamos um novo campeão depois de algumas edições da Copa do Mundo. Esperávamos, de certo modo, que esse campeão viesse também de um novo continente. A Coreia do Sul chegou perto disso em 2002 pela Ásia (onde foi semifinalista). Desta vez, faltaram dois centímetros para que os ganeses chegassem à semifinal. Mesmo assim, acredito que o título espanhol seja merecido. Ao lado da Argentina, foi a seleção que, na minha opinião, exibiu o melhor futebol. Além disso, é uma equipe jovem, como também é a da Alemanha, terceira colocada, e a de Gana. É um bom sinal”, ressaltou.