São Paulo – Acabou, após 41 dias, a angústia do atacante Robinho, do Santos. Sua mãe, Marina da Silva Souza, foi libertada pelos seqüestradores na manhã de ontem, após pagamento de R$ 200 mil de resgaste. Às 13h18, ela chegou a seu apartamento, em Santos, onde foi recebida com festa e encontrou-se com o filho. Aliviado, Robinho fez um depoimento à tarde e, logo em seguida, seguiu, em vôo fretado, para São José do Rio Preto, onde juntou-se ao time. Treinou entre os titulares e enfrentará o Vasco, amanhã, na rodada decisiva do Brasileirão.

Vestindo bermuda jeans, miniblusa verde e chinelos, além de um cobertor sobre a cabeça para se proteger da chuva, Marina, de 44 anos, apareceu, por volta das 7h, à frente da casa de número 40, da Rua Santa Cruz, na periferia de Perus, perto do cativeiro, zona oeste da capital. Bateu na porta e foi atendida pela dona de casa Eva Aparecida Silva Rosa. Pediu para usar o telefone para chamar a polícia, mas a proprietária da residência não acreditou em sua conversa e a aconselhou a usar um telefone público.

Marina, então, viu José Pedroso, aposentado, sentado num banco de madeira, em frente à casa de número 10. O senhor, de 65 anos, a reconheceu e a convidou que entrasse em sua casa. Ofereceu água, café e o banheiro. A Polícia Militar foi chamada. Ela falou com Robinho por telefone e, um pouco mais tarde, foi levada pelos policiais à Companhia da PM.

Com quatro quilos a menos, seguiu até o Hospital Metropolitano, na Lapa, zona oeste, onde passou por bateria de exames que durou cerca de duas horas. Estava abatida, fraca, mas sem lesões físicas. Garantiu aos médicos ter sido bem tratada pelos seqüestradores. Às 9h14, recebeu a visita do marido, Gilvan de Souza.

Chegou a Santos no início da tarde e fez a primeira aparição pública ao lado de Robinho. Saiu na varanda do apartamento e acenou para torcedores, fotógrafos e cinegrafistas. "Ela chorou, me abraçou e me beijou e eu também pude abraçá-la. Abraçar a mãe é tudo o que um filho quer na vida", declarou Robinho. "Graças a Deus isso foi superado. Agora, espero que a gente consiga o título para eu passar um Natal feliz com minha família."

A família passou por momentos dramáticos durante 41 dias. Em 9 de novembro, após depoimento dado por Robinho à imprensa, por meio do qual pediu que os meios de comunicação se afastassem do caso, os seqüestradores exigiram que parasse de aparecer na tevê, nas rádios e nos jornais. Ameaçaram cortar um dedo de sua mãe, caso não se escondesse. Por isso, ele optou por não participar dos jogos do time.

Depois, quando um jornal espanhol publicou reportagem com o atleta falando da possibilidade de jogar no Real Madrid, os bandidos pediram mais dinheiro pelo resgate. A polícia tem pista dos criminosos e acredita poder prendê-los em pouco tempo. "O presente de Natal que eu esperava, ver o Robinho com a mãe dele, chegou mais cedo", afirmou Vanderlei Luxemburgo. O treinador, num primeiro momento, não quis falar sobre a presença do craque na partida contra o Vasco, mas o colocou entre os titulares no coletivo de ontem, em Rio Preto.

Após o treino, Luxemburgo confirmou sua escalação, para a decepção de jogadores e torcedores do Atlético. Os paranaenses precisam derrotar o Botafogo, em Curitiba, e torcem para que o Santos não vença o Vasco. Só assim conquistarão o título. "Só peço que o Robinho fique um pouco mais com a mãe", brincou Washington, ainda sonhando com a taça.

Diego festeja fim do trauma

São Paulo – O telefone celular de Diego tocou por volta das 10h30 da manhã, horário de Portugal. O meia, ainda sonolento por ter acordado minutos antes, reconheceu a voz de William, assim que atendeu. O ex-companheiro de Santos, com quem mantém contato freqüente, sem rodeios deu-lhe a notícia de que a mãe de Robinho, enfim, havia sido liberada. Emoção e alívio encheram o quarto do luxuoso hotel em que o Porto estava hospedado para a partida de ontem à noite com o Moreirense, pela 15.ª rodada do Português. "Graças a Deus, tudo terminou bem", festejou Diego. "Acabou o sofrimento e voltará a alegria para ele e família." Em seguida, pretendia ligar para sua mãe, Cecília, que foi lhe fazer companhia no apartamento no bairro de Matosinhos. Como ela é amiga de dona Marina, também queria transmitir-lhe logo a novidade. "Ela também estava muito preocupada com a situação."