Foto: Ciciro Back
Alex Mineiro, ídolo da galera rubro-negra, é uma das boas esperanças do Atlético pra vencer o rival alviverde.

Chegou a hora. Após 484 dias sem confronto entre os times principais dos maiores rivais do Estado, Atlético e Coritiba finalmente entram em campo hoje, às 17 horas, para disputar um Atletiba ?de verdade?.

Na Baixada, estarão frente a frente a experiência do Furacão e a juventude coxa-branca.

O tarimbado time de Alex Mineiro e Marcão o renovado Coxa de Marlos e Keirrison.

A lógica coloca o Rubro-Negro como favorito na disputa. Reforçado com a volta de velhos ídolos da torcida, o Atlético ainda conta com a força da torcida para sufocar o adversário. Em campo, pelo Furacão, estarão alguns experientes em clássicos, como Alan Bahia, Denis Marques e Ferreira.

Mas o jovem time coritibano promete se superar para arrancar a vitória na casa do rival. De todo elenco alviverde, apenas o atacante Edmílson já enfrentou o Furacão como profissional. Para os demais jogadores alviverdes, a experiência de um Atletiba é inédita. Revelados no Alto da Glória, novatos como Henrique e Pedro Ken só viveram o clássico nas categorias de base.

Para apimentar ainda mais a disputa, o Rubro-Negro defende um tabu de seis anos sem perder na Baixada para o Coxa. A última vitória alviverde no Caldeirão aconteceu em 8 de abril de 2001, por 2 a 1.

Em meio a tudo isso, as duas equipes tropeçaram fora de casa no meio de semana. O Atlético perdeu – 2 a 1, para o Paranavaí. O Coxa foi derrotado, de virada – 4 a 2 – pelo Adap Galo. Além disso, está em disputa um lugar na 2.ª fase do Paranaense. Atlético e Coritiba têm 11 pontos na tabela e brigam, junto ao Paraná, por melhores posições no G 8. Como só os oito primeiros se classificam, quem perder esta tarde pode complicar sua permanência no estadual.

Se um dos rivais não passar, o Atletiba de hoje pode ser o único de 2007. Com o Coxa mais um ano na Segundona, não haverá confronto pelo Brasileirão. As duas equipes teriam ainda chances de confrontar na Copa do Brasil. Portanto, quem está com saudades não pode perder tempo e deve correr logo para a Baixada.

Atleticanos não alimentam ilusões

Apontados como favoritos para o clássico de hoje, os jogadores do Atlético não se iludem. Experiente, o time rubro-negro sabe que num Atletiba os prognósticos de nada valem.

?É um jogo de muita importância. É um clássico em que há uma rivalidade muito grande. Em jogos dessa maneira, indiferente da situação de cada equipe, não têm favorito mesmo. Sempre um quer passar para o outro a responsabilidade?, diz o técnico Vadão.

O ano sem Atletiba de 2006 também deixou saudades nos atletas. ?No ano passado não tivemos o clássico, então isso aumenta ainda mais a expectativa sobre o jogo. Vamos enfrentar a equipe do Coritiba com a mesma seriedade que enfrentamos o Nacional e teremos mais dificuldades, porque o time deles é muito qualificado?, afirma o goleiro Cléber.

Em relação ao time que goleou o Nacional por 5 a 1 no último sábado, na estréia do time A na temporada, o Furacão terá apenas uma mudança. O meia David Ferreira está de volta após defender a seleção da Colômbia e assume a camisa 10.

A única dúvida é quem sai do time para a entrada do colombiano. Netinho e Cristian disputam a vaga no meio-campo. Com Cristian, o Atlético fica mais forte na marcação. Com Netinho, ganha em qualidade técnica e velocidade. Vadão deve manter o mistério até o último minuto.

Ingredientes pra um excelente jogo

Cristian Toledo

Qual foi o último mesmo?

É difícil para alguns recordar o último Atletiba – e, para acabar com a saudade das torcidas rubro-negra e coxa-branca, hoje será retomada a rivalidade mais tradicional do futebol paranaense. Às 17 horas, no Joaquim Américo, tem Atlético x Coritiba, com todas as características que um clássico precisa.

Tudo bem que o jogo é válido pela 9.ª rodada da 1.ª fase do Paranaense, uma competição que já perdeu o charme que tinha e que agora se esforça para perder o fio de credibilidade.

O Atletiba ficou colocado entre as 15 desinteressantes rodadas da fase inicial, que deixa os clubes à vontade para testar jogadores e fazer contratações na hora em que elas aparecem.

O Atlético foi quem mais relegou o Estadual a um segundo plano. Usou, até a 6.ª rodada, sua equipe B, que voltou a campo na derrota para o Paranavaí, quarta-feira. Hoje, estarão em campo os titulares, e no banco o ?técnico titular? Oswaldo Alvarez. A torcida rubro-negra terá a oportunidade de ver mais uma vez o ídolo Alex Mineiro, herói do título brasileiro, enfrentando o maior rival.

No lado do Coritiba, a diretoria abandonou o estilo ?ensaio e erro? das últimas temporadas e se cercou do que tinha de melhor no elenco – os jovens. Mesmo assim, o time carece de qualidade, tanto que foi derrotado pelo Adap Galo na quarta. A torcida coxa-branca terá em campo suas grandes esperanças, Henrique, Rodrigo Mancha, Marlos, Pedro Ken e Keirrison, ídolo mais recente do time.

Esta é uma atração à parte: o duelo dos experientes atleticanos contra os garotos alviverdes. Além disso, há a tradicional provocação de parte a parte – os donos da casa esperavam há tempos para gritar ?2.ª divisão? para os visitantes, que sonham em calar os mandantes com uma vitória.

Há também o duelo de um veterano em clássicos, o técnico do Atlético Vadão, com o novato (assim como quase todos os seus comandados) Guilherme Macuglia, do Coritiba. E a briga para ver quem será o mais raçudo, se o camisa 7 rubro-negro Alan Bahia ou o camisa 2 coxa Túlio. Até o árbitro é atração – Héber Roberto Lopes, enfim trabalhando em uma partida de expressão.

Não fosse no Paranaense, este seria, desde o início da semana, o tema de todas as conversas. Mas o Atletiba consegue ser maior que a desorganização?, e promete ser mais um clássico sensacional dessa história octogenária.

?Velhinhos? que se cuidem

Rodrigo Sell

Foto: Valquir Aureliano
Pedro Ken, em sua estréia num Atletiba na Baixada, é uma das jovens atrações do Coxa.

Os ?velhinhos? do Atlético que se cuidem com os ?meninos superpoderosos? do Coritiba. Pois é isso mesmo. Apesar de toda a experiência e rodagem do Rubro-Negro, para a garotada alviverde ?clássico é clássico e não tem favorito?. Depois do técnico Guilherme Macuglia passar a responsabilidade para o adversário no início da semana, ele mesmo voltou atrás e acha, assim como os jogadores, que o Coxa entra de igual para igual e pode conseguir sua reabilitação no Paranaense em cima do maior rival. O confronto das duas equipes está programado para as 17 horas na Baixada.

?Temos jogadores jovens, que irão enfrentar o primeiro Atletiba e isso é bom. Enfrentar um adversário dessa maneira será um crescimento profissional para eles e está sendo encarado dessa forma?, analisa o treinador do Coritiba. Para Macuglia, um time não pode ser predominantemente jovem. ?Muitas vezes, você precisa de um pouco de experiência, mas nós estamos mesclando e, com a seqüência de jogos, a equipe vai crescer e os garotos terão um desempenho melhor?, projeta.

Na terça-feira, Macuglia chegou a declarar que o Atlético seria o favorito no confronto contra o Alviverde, principalmente por contar com uma base montada e bastante experiente. Agora, ele pensa diferente. ?É um clássico e, como tal, não há favoritos?, aponta. Tal qual o chefe, os ?meninos superpoderosos? querem provar que a derrota – 4 a 2 – para o Adap foi mero acidente. ?No lado de lá, eles vão querer vencer e não é diferente aqui. Vamos entrar com a mesma vontade, sem medo nenhum e vamos jogar de igual para igual, dar o máximo e conseguir essa vitória lá dentro?, promete o meia Pedro Ken.

O volante Túlio aposta da garotada e acredita que eles também já estão calejados.

?A gente sabe que eles são jovens, mas são bons jogadores e têm uma certa experiência ao longo da carreira?, destaca. Para ele, nem a derrota para o Adap, nem a amarga 8.ª posição na competição vai tirar a tranqüilidade da equipe. ?Estamos focados no que a gente quer, mas o clássico tem muita rivalidade, sabemos disso, mas estamos tranqüilos?, finaliza o volante.

Tahiza virou torcedora símbolo do Coxa

Foto: Valquir Aureliano
Tahiza com a faixa do título ganha do delegado Antônio Lopes. A torcedora começou a acompanhar o Coxa a partir de 2002. E não parou mais.

?O futebol é um vício.? Não poderia mesmo ser diferente a paixão de Tahiza Stein, não só pelo esporte, mas principalmente pelo Coritiba. Chamada de tia pelos jogadores e parte da torcida, ela vive o dia-a-dia do clube e virou um dos símbolos do Alviverde pela sua alegria e seu incentivo, mesmo nos piores momentos. Antes de todos os jogos, junto com o filho Thyago, a torcedora e associada do Coxa prepara cartazes com fotografias e palavras de incentivo, formando amizades nas arquibancadas e até com os ídolos que já foram embora do Alto da Glória.

?No início, era uma mãe perdendo a vergonha de chegar num time de futebol para ver a alegria do filho. Depois, me apaixonei pelo futebol?, conta. E olha que até 2002 ela só acompanhava o futebol pela televisão. ?Era aquela coisa do clube do bolinha, para mulher ?era? perigoso e não ia. Só arrumava eles (o marido e o filho) com as bandeiras e cornetas?, diz. E a estréia dela em campo foi justamente num clássico. ?Com tanto medo que tinha, acabei começando num Atletiba e daí, se perdi uns três jogos, foi muito?, garante.

Mas, essa vergonha acabou passando depois de alguns encontros dela e seu filho com atletas numa videolocadora em Pinhais, próxima da residência dos dois e da concentração do Coritiba. ?Depois que meu pai faleceu, fiquei um tempo sem freqüentar os estádios, mas a paixão não era tão grande quanto agora. Daí, quando a gente encontrou os jogadores, convenci minha mãe a ir para o estádio e começamos a ir em todos os jogos?, revela Thyago.

Foto: Valquir Aureliano
Tahiza e o filho Thyago guardam tudo sobre o time do coração.

E a paixão dos dois começou a gerar a troca de presentes com jogadores e treinadores. Entre os xodós estão a faixa de campeão estadual de 2004 presenteada pelo delegado Antônio Lopes e uma camisa de Tcheco autografada pelo próprio e alguns companheiros. Em retribuição, eles levam um cartaz para incentivar o elenco. ?Procuro incentivar sempre, mesmo sabendo que a equipe é passageira. Mas, se eles fizerem a história, vão ganhar eles e o clube e a gente sempre torce por eles?, afirma Tahiza.

E não será diferente no clássico de hoje. ?Para o Atletiba, vamos montar um cartaz com fotos de outros jogos e uma mensagem mostrando que é o jogo da vida deles. Essa é uma batalha que, se eles ganharem, vão conquistar muita gente?, aposta. E nem importa se o Coritiba de hoje não é aquele dos bons tempos. ?Estamos na expectativa da melhora do clube e um planejamento para a gente voltar para a primeira divisão e ficar. Com os jogadores da base e reforços para as laterais acho que vai dar para subir?, finaliza Thyago.

Nilo Biazetto é um dos responsáveis pela mística e paixão do Rubro-Negro

Cahuê Miranda

Foto: João de Noronha
Nilo Biazetto, o inesquecível comandante do time de 1949.

Em dia de Atletiba, nada melhor do que ouvir os conselhos de um especialista em clássicos. Aos 85 anos, completados na última sexta-feira, Nilo Biazetto, o capitão do Furacão de 1949, tem a receita para o Atlético levar a melhor no mais tradicional confronto do futebol paranaense.

Com a experiência de quem vestiu a camisa rubro-negra por dez anos e disputou dezenas de Atletibas, Nilo manda um alerta para os atuais jogadores do Rubro-Negro, considerados favoritos para o clássico. ?A melhor receita para vencer sempre é ter o time melhor. Mas a raça no Atletiba prevalece. Ser favorito é importante, mas o feitiço pode virar contra o feiticeiro. O Coritiba pode se empolgar em função da superioridade do Atlético?, avisa o experiente capitão.

Atleta em uma época em que o amor à camisa era mais importante que o dinheiro, Nilo viveu toda sua carreira de jogador profissional na Baixada. ?Joguei no Atlético de 1940 a 1950. Fui campeão em 1943, 45 e 49. De 45 a 50, fui capitão do time. Todos os contratos que assinei com o Atlético eram em branco. Nunca pedi nenhum tostão. Não era tempo de ganhar dinheiro. Era tempo de jogar?, afirma.

Mas, curiosamente, Nilo iniciou sua história nos gramados vestindo verde e branco. ?Comecei no juvenil do Coritiba. Lá, fui campeão de juniores em 1939. Quando passei no concurso para o Banco do Estado, os diretores, que eram todos atleticanos, disseram que seria um funcionário destacado, pois tinha passado em terceiro lugar. Mas para isso, teria que mudar de time. E assim assinei com o Atlético.

E não me arrependo.

Tomei a decisão certa.

O nome e o prestígio que tenho, ganhei com muita ajuda dos companheiros do Atlético?, revela.

?Em Atletiba é impossível fazer prognóstico?

Foto: João de Noronha
O capitão do timaço de 1949 lembra com carinho dos bons tempos.

Na Baixada, o zagueiro viveu uma época de ouro do futebol do Paraná. Nilo foi o capitão da equipe que assombrou o Estado ao marcar 49 gols em 12 jogos e ganhou o apelido que o Rubro-Negro carrega até hoje. ?Desde que cheguei ao Atlético, nós tínhamos um timaço. Mas vale sempre o que o povo diz.

O melhor time do Atlético foi o de 1949, que era o Furacão?, recorda.

A escalação desse time, os atleticanos mais antigos lembram até hoje. Caju; Nilo e Waldomiro; Waldir, Wilson e Sanguinetti; Viana, Rui, Neno, Jackson e Cireno.

Impiedoso com todos os adversários, o Furacão não deixou por menos quando enfrentou o Coxa e aplicou uma das maiores goleadas do clássico: 5 a 1. ?Lembro desse jogo até hoje. Foi um dia especial, mesmo em meio a tantos Atletibas que disputamos. O nível do nosso time era muito alto?, ressalta Nilo.

Mesmo após abandonar os gramados, com apenas 27 anos, para se dedicar ao trabalho no Banco do Estado, o capitão continuou vivendo intensamente o Atlético. ?Até hoje sou conselheiro, há 40 anos. Sou o único ex-jogador que foi presidente do conselho deliberativo?, afirma, orgulhoso.

Hoje, Nilo estará na Baixada, para mais um Atletiba. ?Tenho um camarote e vou a todos os jogos, com meu filho e os netos?, garante. Mas mesmo com tanta experiência, o capitão não arrisca um palpite para o placar desta tarde. ?Atletiba é sempre Atletiba. É impossível fazer um prognóstico?, conclui.

CAMPEONATO PARANAENSE 2007

1.ª fase – 9.ª rodada

ATLÉTICO x CORITIBA

Atlético – Cléber; Jancarlos, Danilo, Marcão e Michel; Marcelo Silva, Alan Bahia, Netinho (Cristian) e Ferreira; Denis Marques e Alex Mineiro. Técnico: Oswaldo Alvarez.

Coritiba – Marcelo Bonan; Túlio, Henrique, Leandro e Daniel Cruz; Rodrigo Mancha, Juninho, Pedro Ken e Marlos; Keirrison e Igor (Edmilson). Técnico: Gulherme Macuglia.

Árbitro: Heber Roberto Lopes

Assistentes: Roberto Braatz e Moises Aparecido Souza

Local: Kyocera Arena, em Curitiba (PR)

Horário: 17h