Berlim – Os franceses acreditam ter motivos de sobra para sonhar com o título mundial. O mais importante, dizem é a presença de Zidane, inspirado e motivado para encerrar a carreira com a conquista. Mas têm como aliados, também, os números. No confronto direto com a Itália, a França leva vantagem. E, em sua história, jamais perdeu uma final de competição oficial.

Até agora, foram cinco disputas e cinco triunfos. A equipe nunca se mostrou arrogante durante o torneio, mesmo depois de vencer Brasil e Espanha. Mas, agora, vem usando retórica exageradamente otimista. Alguns jogadores parecem ter entrado no perigoso clima do ?já ganhou?. E o técnico, Raymond Domenech, declarou que, para ele, competir não importa em nada. Só vale vencer, e o vice-campeonato seria uma grande derrota.

Os discursos são completamente diferentes dos adotados há três semanas, no início da Copa. Desacreditado, o time sofreu para passar pela 1.ª fase. Mas ganhou força com boas atuações e chega à final esbanjando otimismo. ?Nosso grupo está muito unido solidário?, observou Domenech.

Sagnol é um dos que têm certeza de um domingo feliz para seus torcedores. E não fez nenhuma questão de ser político e jogar o favoritismo para o outro lado, como a maioria dos colegas de profissão costuma fazer. Disse que, com Zidane, sua seleção tem mais chances que a italiana. ?Nós temos o Zidane e a Itália não, esse pode ser um ponto de desequilíbrio?, declarou o lateral-direito. ?Mesmo com 34 anos, ele mostrou que pode fazer coisas incríveis.?

O retrospecto francês em finais de campeonato ajuda a aumentar o otimismo. Venceu as cinco de que participou na história (ver quadro). Os números também indicam vantagem sobre os italianos. Em sete confrontos – quatro jogos por Mundiais, um por Eurocopa e dois amistosos -, houve três vitórias da França, duas da Itália e dois empates.

O que mais eleva o moral francês, no entanto, é o ressurgimento de Zidane na reta final de sua carreira. E a recuperação do time adormecido desde 2000. Em 2002, na Copa da Ásia, o desempenho foi vergonhoso. A equipe, tida como uma das favoritas ao primeiro lugar, caiu na primeira fase e não fez nenhum gol. Depois, não brilhou nas Eliminatórias.

E, na Alemanha, começou mal a competição. Mas iniciou a inesperada virada após o triunfo sobre a Espanha nas oitavas-de-final e chegou, com justiça, à decisão, em Berlim. ?Crescemos na hora certa?, resumiu Domenech.

Grana pra encher as burras de quem for campeão

Berlim – Uma simples vitória amanhã, diante da Itália, vai render 240 mil euros – cerca de R$ 650 mil – a cada jogador da França. Valor suficiente para a compra de, pelo menos, um ótimo apartamento em São Paulo, de vários carros luxuosos ou de mais de cem laptops de última geração. E em apenas um mês de trabalho.

Engana-se, no entanto, quem pensa que os franceses são os campeões de premiação. Há seleções mais generosas, como a portuguesa, que ofereceu a impressionante quantia de 350 mil euros – R$ 945 mil – para os atletas pela conquista do título. Os italianos superam por pouco seus rivais da decisão e vão embolsar, cada um 250 mil euros – R$ 675 mil – em caso de triunfo no Estádio Olímpico de Berlim.

Os prêmios em Copas do Mundo costumam ser bastante elevados. O evento movimenta grandes quantias e dá lucro às federações nacionais. A federação vencedora amanhã receberá, da Fifa, 15,6 milhões de euros ou R$ 42 milhões. O vice ficará com 14,4 milhões de euros – R$ 38,8 milhões – e o terceiro e quarto colocados levarão 13,7 milhões de euros -R$ 36,9 milhões. O Brasil, que caiu nas quartas-de-final, voltou com 7,3 milhões de euros -R$ 19,7 milhões.

Chuvas alteram programação – Como ocorre em todas as edições da Copa, as seleções costumam treinar na véspera da decisão no próprio campo em que disputam o título. Desta vez, no entanto, a programação foi alterada. Por causa das fortes chuvas em Berlim nos últimos dias, a Fifa decidiu vetar o Estádio Olímpico para as atividades de Itália e França. A idéia é preservar o estado do gramado.

Por isso, as duas equipes treinarão em seus locais de concentração na Alemanha. Os franceses ficarão em Hamelim e os italianos em Duisburg.