O vice-presidente de futebol do Palmeiras, Roberto Frizzo, foi o membro da diretoria do clube mais atacado pelo atacante Kléber nesta segunda-feira, quando ele veio a público explicar sua ausência no clássico diante do Santos, no último domingo, e sua situação no clube. Apesar do desgaste com a diretoria e da troca de acusações, o jogador disse que sua primeira opção sempre foi permanecer na equipe paulista. De acordo com Frizzo, no entanto, não é isso que ele e seu empresário, Giuseppe Dioguardi, têm demonstrado.

“Ele em nenhum momento estava procurando convergência, afirmou que desejava sair do clube”, explicou o dirigente, em entrevista à Rádio Estadão ESPN. “Conversei com o Pepe (Giuseppe Dioguardi) na sexta, chegamos a um valor, mas no sábado o Kléber veio falar comigo, disse ‘eu quero sair’. Eu falei que não queria que ele saísse, que havia passado os números ao empresário. Ele apontou ‘fulano’ que ganha mais do que ele”, completou.

De acordo com o dirigente, este acerto com o empresário do atacante seria um aumento para o ano que vem. Nele, estaria envolvida uma estratégia de marketing para que o valor de pagamento a ele chegasse próximo da proposta feita pelo Flamengo, que nas últimas semanas fez uma proposta oficial ao jogador.

“Isso (o aumento) já foi conversado. O que eu ouvi deles é que não queriam nada para esse ano. Que seria algo para começo de 2012. Propus um aumento, que o departamento de marketing ficaria disponibilizado para usar a imagem dele para patrocínio, para que ele ficasse com 70% do resultado e a gente 30%. Então tudo isso foi conversado”, revelou.

Mesmo com o projeto para a permanência do jogador, o diretor admite que a proposta atual do Palmeiras ainda não igualaria à feita pelo clube carioca. “Ele afirmava ter recebido uma proposta que dobraria seu salário. Tive muitas vezes conversando com ele e tantas outras vezes com seu empresário. Perguntei qual era sua pretensão e ele colocou em números. São números expressivos que o clube não tem como arcar. Ele cita outros companheiros que têm salários maiores que o dele, mas quando assumimos (a atual diretoria) já encontramos este cenário”, afirmou.

As críticas do jogador ao dirigente, no entanto, não ficaram apenas na esfera esportiva. Além de chamá-lo de incompetente, Kléber afirmou que Frizzo “não é homem”, é “medroso” e “não tem caráter”. “Não sou medroso, cuido do Palmeiras. Com relação a ser incompetente, não sei qual o critério dele para fazer esse julgamento. Eu, por exemplo, o acho extremamente competente para ser jogador”, disse.

“Fico chateado por ele fazer esse tipo de consideração, me chamando de medroso e sem caráter. Mas acho que isso foi na emoção, ele vai ter tempo para refletir e perceber que foi bastante injusto. O que rege nossa relação é o contrato, como todos os atletas profissionais. Então, se quer encerrar, veja como fazer e pague a multa (rescisória). A lei determina isso”, completou.

Em um ponto os dois concordam. Mesmo com todas as desavenças e a crise na relação, ambos acham possível a permanência de Kléber no clube. “Eu com certeza quero contar com ele, é um atleta de qualidade, no grupo vem muito bem, é muito ligado e unido. Compreendo a emoção dele, é um jovem. Ontem (domingo) já disse que ele é um rapaz de caráter, um profissional correto”, avaliou Frizzo.