Barcelona – A atenção está toda centrada no Estádio Camp Nou, em Barcelona. O time da asa enfrenta o Deportivo la Coruña pela décima rodada da Liga Espanhola. Com apenas sete minutos de jogo, leva um gol, mas demonstra uma tranqüilidade incomum diante da situação adversa. Final de jogo: 2 a 1, de virada. A diferença no placar não é muita, mas a impressão deixada é marcante.

O Barça não precisa jogar bem para vencer. Mesmo em dias de pouca inspiração (como a do último sábado contra o Deportivo), o time comandado por Frank Rijkaard cria dezenas de oportunidades de gol. A maneira como joga é plástica, clássica e sempre muito ofensiva.

O jogador do Milan e capitão da seleção brasileira, Cafu, resume bem o poder de ataque dos culés. “Tem momentos em que eles atacam com sete jogadores e a qualidade deles dispensa comentários. É muito difícil parar um time assim”, disse à Tribuna, após a derrota da sua equipe para o Barça, na Champions League, terça-feira passada, por 2 a 1.

Mas a coisa vai muito mais longe. O Camp Nou novamente traz a magia das grandes noites continentais, através da Champions League. Também os domingos alegres com uma equipe que vence e encanta. Quem desfruta é o torcedor que aplaude, canta, empurra e, sobretudo, vive este time que para todos é a nova versão do Dream Team do início dos anos 90.

Este Barça já conquistou a admiração geral. Jogadores, dirigentes, torcedores, treinadores e jornalistas são unânimes em dizer que é a melhor equipe européia da atualidade. Enfrentar a equipe catalã no Camp Nou é uma tarefa indigesta para qualquer equipe.

Invicto há 11 meses

Imbatível. Assim é o Barça no Camp Nou há 11 meses. E é com esse retrospecto que o time volta ao seu estádio no próximo dia 20 para o novo “jogo do ano” contra a galaxia do Real Madrid, coincidentemente, o último jogo perdido no seu estádio (1 a 2, em 6 de dezembro de 2003). Na temporada atual são cinco jogos em casa e aproveitamento de 100%.

Esse restrospecto garante ao Barcelona a posição, de fato, de melhor equipe entre as principias ligas européias (veja quadro). O clube só perdeu um jogo este ano – 1 a 0 para o Milan, no jogo de ida da Champions – e pelo nacional segue invicto, com oito vitórias e dois empates, em dez rodadas.

O meia Deco tem uma explicação para o momento: “O que se nota é uma total dedicação de todos em treinamentos e jogos. Isso faz com que volte a fantasia e a vontade de jogar e dar o melhor. Assim, tudo rende melhor”.

O craque Ronaldinho também concorda e acrescenta. “Além da dedicação, o ambiente é o melhor possível. Somos todos amigos e procuramos resolver as deficiências com muita conversa.”

Ronaldinho ressalta também o desejo de todos em acabar com o jejum de títulos do Barça, que persiste desde 99. “Esse é outro motivo. Todos aqui querem entrar para a história do clube e queremos o mais alto, a Champions. Um clube como o Barça não pode ficar tanto tempo assim sem ganhar um título.”

Outro que reflete o grande momento do clube é o goleador camaronês, Samuel Eto?o. O jovem atacante é o artilheiro do Barça na Liga Espanhola, com oito gols, e garante que não vai parar por aí. “O nível dos jogadores, a torcida, enfim, o clube todo é fantástico. Jogar aqui faz você sempre ter motivação para buscar o melhor e é isso que pretendemos alcançar no Barça.”