Foto: Lucimar do Carmo
Amigos e parentes se despediram ontem do ex-presidente coxa.

Faleceu na manhã de ontem, aos 82 anos, o maior dirigente da história do futebol paranaense. Evangelino da Costa Neves, presidente do Coritiba por três períodos (22 anos), campeão brasileiro em 1985, onze vezes campeão paranaense, não resistiu a seguidos acidentes vasculares cerebrais (AVC) sofridos na semana passada. Ele estava internado desde o domingo passado no hospital Milton Muricy. Velório e enterro aconteceram ontem, no cemitério Parque Iguaçu.

Natural de Santos, Evangelino chegou a Curitiba na década de 50, e logo passou a torcer pelo Coritiba. Na década seguinte, foi convidado para fazer parte da direção do clube, e em 1967 foi eleito pela primeira vez presidente. Foi protagonista de uma revolução no futebol paranaense, contratando jogadores de renome nacional (como também fazia o Atlético, com Jofre Cabral e Silva) e agitando o campeonato estadual. Conquistou seus primeiros títulos paranaenses em 1968 e 69.

Nos anos 70s, viveu seu primeiro apogeu. Montou um elenco considerado o maior da história do Coritiba e conquistou seis títulos paranaenses e o Torneio do Povo de 1973. Neste ano, na conquista do tricampeonato estadual, talvez a sua foto emblemática carregado em triunfo pela torcida, sorriso aberto, braços erguidos. Ainda na ?ressaca? da década, foi bicampeão paranaense.

Em 1979, ele deixou o clube pela primeira vez. Voltou três anos mais tarde, quando o Coritiba quase foi rebaixado no campeonato estadual. Recuperou o clube até a sua maior glória, o título brasileiro de 1985. Àquele momento, além do consagrado apelido de ?Chinês?, Evangelino já era chamado de ?O Campeoníssimo?, epíteto que se tornou título da biografia escrita pelos jornalistas Carneiro Neto e Vinícius Coelho.

Saiu do Alto da Glória em 1987 e retornou em 1991, de novo chamado para salvar o Coxa, que fora rebaixado pouco antes para a terceira divisão do campeonato brasileiro. Desta vez, não obteve êxitos, e acabou saindo definitivamente da presidência em 1995. Mas continuou sendo a referência do Coritiba, tanto que seu apoio era disputadíssimo nas eleições.

Ainda tentou voltar como presidente em 2001, mas perdeu o pleito para Giovani Gionédis, com quem compôs em 2003 e rompeu em 2006, acusando-o de falsificação. Ainda participou de movimentações na eleição do ano passado, apoiando Domingos Moro, mas sua saúde já estava bastante debilitada devido a vários problemas cardíacos. A morte de Evangelino da Costa Neves encerra uma era ?romântica? do futebol paranaense, e criva de dor uma torcida e todos que conviveram com o Chinês.