O presidente do Corinthians, Mario Gobbi, encontrou-se nesta quarta-feira em Brasília com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, para pedir formalmente apoio no caso dos 12 corintianos presos em Oruro, na Bolívia. Gobbi esperava ouvir dos ministros uma solução a respeito da situação dos torcedores detidos desde o dia 20 de fevereiro, mas na prática não há garantia de que eles serão libertados com uma eventual intervenção do governo brasileiro. “Vim aqui cumprir uma missão como cidadão. Não podemos achar justo a prisão de inocentes, sejam eles quem forem”, disse o dirigente, por meio de nota.

Nesta quarta, uma comitiva de seis deputados viajou para a Bolívia com a finalidade de prestar apoio aos torcedores. Os políticos se encontram nesta quinta com parlamentares bolivianos, em La Paz, e nesta sexta vão a Oruro para conhecer a Penitenciária San Pedro. Andrés Sanches, ex-presidente do Corinthians, foi convidado para acompanhar a comitiva, mas recusou a viagem por problemas pessoais.

“Vamos reafirmar que o governo brasileiro está atento à situação dos brasileiros presos na Bolívia, não apenas dos torcedores corintianos, mas de todos os cidadãos”, afirmou o deputado Nelson Pellegrino, presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Na semana passada, Ricardo Ferraço, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, também esteve em Oruro e classificou a prisão como “sequestro” e “abuso de poder”.

Os esforços políticos brasileiros não encontram eco na Justiça boliviana. Alfredo Santos, novo fiscal de investigação responsável pelo caso, afirmou que o processo seguirá seu curso independentemente da pressão política. “Tenho de me preocupar apenas com a investigação, com a esfera jurídica”, disse o fiscal, que substituiu Abigail Saba na condução do processo.

Alfredo Santos afirmou que vai continuar a linha iniciada por Saba, repetiu que a investigação deve durar cerca de seis meses e disse que “não há relevância” no vídeo em que o menor confessa ter disparado o sinalizador que matou Kevin Espada no dia 20 de fevereiro, no jogo entre San Jose e Corinthians.

Não quis comentar quais as chances de a Justiça boliviana aceitar um novo pedido de liberdade provisória dos corintianos, rejeitada anteriormente. “Não entendo a investigação feita no Brasil. O crime foi cometido na Bolívia. Se há um culpado, ele deve se apresentar na Bolívia. Além disso, a confissão não constitui prova pela lei boliviana”, disse o fiscal.

CBF TAMBÉM INTERVÉM – O presidente da CBF, José Maria Marin, vai conversar com o seu par da Confederação Boliviana, Carlos Chaves, para tentar ajudar a libertar os corintianos presos. Ele viaja à Bolívia nesta sexta para acompanhar o amistoso da seleção brasileira em Santa Cruz de La Sierra, sábado.