O goleiro Mikael Roche poderia ter sido escolhido o personagem do jogo entre Espanha e Taiti nesta quinta-feira. Não pelo desempenho, afinal sofreu dez gols em apenas uma partida, mas em razão da postura séria adotada até o apito final e do apoio recebido da empolgada torcida brasileira presente no Maracanã.

Roche, de 30 anos, foi de longe o jogador que mais sofreu em campo. Sofria diante das limitações dos seus companheiros de time e da sensação de impotência de não conseguir parar um ataque formado por David Villa, David Silva, Juan Mata e Fernando Torres. Sofria também por causa dos próprios erros.

Aos 18 minutos do segundo tempo, Roche viveu seu pior momento na partida. Saiu mal do gol e deixou a bola passar. Deitado no chão, viu Villa finalizar para marcar o sétimo gol espanhol. Tão abatido, recebeu o consolo de Torres, que o ajudou a levantar do chão. “Foi rápido demais, muito difícil, gostaria de ter um desempenho melhor para defender nossas cores, mas enfrentamos um time muito forte”, lamentou Roche.

Enquanto os espanhóis deixaram transparecer certo constrangimento, a torcida empurrava o goleiro como se fosse um compatriota. E chamava a atenção por adotar o Taiti como se fosse a equipe da casa. Os brasileiros exultavam nos raros lances ofensivos dos taitianos, pediam faltas e gritaram de raiva quando o árbitro argelino Djamel Haimoudi não marcou duvidoso pênalti da defesa espanhola sobre Teaonui Tehau.

Após o apito final, o público do Maracanã protagonizou momento singular ao aplaudir de pé os esforçados jogadores do Taiti. E Roche viveu situação inesperada. Ao fim de um dos piores dias de sua carreira, o goleiro taitiano foi premiado com aplausos de quase todos os 71.806 torcedores presentes no Maracanã.

“Gostaria de agradecer a todos que se esforçaram e congratular a equipe espanhola. Mas principalmente agradecer ao público brasileiro que nos apoiou, apesar de sermos uma equipe pequena. Foi maravilhoso, nunca esquecerei esse momento”, afirmou o emocionado goleiro.