Cerca de 60% das dívidas dos grandes clubes brasileiros são com o governo. Na contramão, Atlético e Coritiba são os com as menores dívidas fiscais no país. No entanto, atualmente o balanço bancário serve basicamente como um consolo na autoestima dos torcedores da capital paranaense.

Como exemplo, o consultor Carlos Aragaki, da Casual Auditores, faz uma comparação. “Do ponto de vista prático, a dívida fiscal não chega a assombrar ninguém. Não consegui enxergar no mercado um negativo que abala o Fluminense por isso. O governo não está punindo”, ressalta.

Aragaki explica que no Brasil não existe a intenção de punir os clubes de futebol, por oficialmente não se tratarem de empresas que visam exclusivamente a obtenção de lucros.

“O governo não vai fechar o Flamengo ou o Corinthians. E também não fechou o Guarani, que é um time com uma dívida enorme e uma expressão bem menor. Até o momento, a única providência tomada foi a criação da Timemania. Isso com o intuito de reverter a situação”.

Porém, como o torcedor não quer pagar a conta aderindo à Timemania, a solução mais provável seria renegociar com os clubes. “No Brasil não existe uma pressão como na Uefa, onde os endividados passaram a correr risco de ficar de fora de determinadas competições. Por aqui, creio que estamos longe disso”.

Por conta deste descontrole, entre 2008 e 2009 as dívidas dos clubes brasileiros cresceram mais R$ 2 bilhões, segundo a consultoria. O valor já é quatro vezes o que a Timemania, quando foi criada, se propunha a gerar -algo em torno de R$ 500 milhões por ano.