O atacante Guerrón não fez parte do pacote de reforços que o Atlético contratou este ano. Pelo contrário, foi tachado de “herança maldita” pelo presidente Mário Celso Petraglia, quando ele assumiu o clube, em janeiro. O dirigente se dizia obrigado a aturar o camisa 7, por força de contrato, mas deixando claro que era contrário à sua permanência na equipe. “O Guerrón, Nieto e Morro tem (sic) contratos com multas enormes… teremos que engolir! O El Morro tentaremos devolver”, escreveu Petraglia, antes da estreia do Furacão no Campeonato Paranaense.

Porém, o tempo fez o dirigente queimar a língua. Guerrón atualmente desponta como o principal jogador do Rubro-Negro, principalmente quando o assunto é Copa do Brasil. Aliás, entre os principais jogadores utilizados pelo técnico Juan Ramon Carrasco nesta temporada, outros dois nomes também receberam o rótulo de “herança maldita”: o goleiro Rodolfo e o atacante Bruno Mineiro, que também foi jogador trazido pelo ex-presidente Marcos Malucelli, e que depois de um ano longe retornou ao clube.

Bruno Mineiro, aliás, concorre para ser artilheiro do Campeonato Paranaense. O jogador acumula 12 gols – um a menos que o goleador Baiano, do Operário, que encerrou a participação no Estadual. Seu desempenho, no entanto, não se compara ao de Guerrón. Excluído do primeiro Atletiba decisivo, o atacante entra na finalíssima de domingo como a grande esperança rubro-negro. E se imprimir no clássico o mesmo ritmo que vem conseguindo na Copa do Brasil, é bom a defesa do Coritiba abrir os olhos. No torneio nacional, dos 12 gols marcados pelo time, 7 foram do equatoriano. Ele é dono de 58% dos gols que colocaram o Furacão nas quartas de final da competição e também contribuiu com três assistências.

No Campeonato Paranaense, o camisa 7 só ganhou sua primeira chance no returno do Estadual, e com um belo cartão de visitas. Entrou aos 14 minutos do segundo tempo, no jogo contra o Operário, no dia 3 de março, e aos 17 marcou seu primeiro gol. Depois disso virou rotina balançar as redes. Hoje, Guerrón é o artilheiro atleticano da temporada, ao lado de Bruno Mineiro, também com 12 gols. Só que ele tem um aproveitamento muito superior. Enquanto marcou seus 12 gols em 12 jogos, Bruno precisou de 23 jogos para obter a mesma marca.

De bem com a vida, Guerrón admite a boa fase. “Estou muito feliz porque pude ajudar a equipe ir adiante na Copa do Brasil. Estou numa fase muito boa e espero continuar assim, ajudando com gols e passes”, disse, transformando a “herança maldita” em “herança bendita”. Bem ao contrário dos também gringos Nieto e Morro García, que ainda seguem renegados no CT do Caju. O uruguaio, maior contratação da história do futebol paranaense, em 2012 fez apenas um jogo. Nieto, fez três.