Walter Alves
Hélio Alves, um senhor cartola: memórias na literatura.

Inovador, folclórico, multicampeão. Esse é Hélio Alves, um dos técnicos mais vitoriosos do futebol paranaense. Sua história, relembrada em tantos ?causos?, agora virou livro. Escrito pelo jornalista Carneiro Neto, O Feiticeiro do Futebol é um documento indispensável aos amantes do esporte na terra das araucárias.

O livro será lançado hoje. Mas uma conversa com Hélio Alves revela um pouco do que vem por aí. ?Ele conta praticamente toda a minha história no futebol. Foram 40 anos. Como estou com 80, é a metade da minha vida?, constata. Desde o início da carreira como jogador, nos anos 1940, até a década de 90, quando deixou o futebol após um grave acidente de carro, Hélio é protagonista de incríveis episódios do nosso futebol. Como quando, em 61, deixou a presidência do Seleto, de Paranaguá, para assumir o cargo de técnico do rival Rio Branco. ?O Rio Branco já estava no profissionalismo e nós ainda éramos amadores. Foi uma polêmica terrível, mas resolvi aceitar?, recorda.

De volta ao Seleto, agora como treinador, Hélio conquistou o título de campeão da zona sul paranaense, em 64, ao superar os times da capital. O sucesso no litoral fez o Coritiba ir atrás do Feiticeiro, impulsionando uma gloriosa trajetória. ?Nunca fiquei desempregado. Passei pelo Colorado, Pinheiros, Grêmio de Maringá, Londrina, Iraty, Rio Branco, Seleto, Coritiba e Atlético?, enumera.

Com um estilo especial, Hélio Alves marcou época e ditou modas. ?O primeiro técnico a usar terno e gravata no campo fui eu. O Vanderlei Luxemburgo me copiou?, garante.

Para se livrar de ?uma fria?, Hélio lançou na carreira de treinador um dos maiores nomes do futebol brasileiro. ?Dirigi o Atlético em alguns jogos no Brasileiro de 71. Mas o time não era lá essas coisas e tive a idéia de oferecer o cargo ao Djalma Santos, que ainda jogava. Ele não gostou muito, mas depois aceitou?, revela.

As principais conquistas foram no comando do Coxa. ?Meu maior título foi o Torneio do Povo, com o Coritiba, em 73. Disputava a nata do futebol brasileiro, como Flamengo, Corinthians, Atlético-MG, Inter. Nós ganhamos de todos. Nem o campeonato brasileiro, como supervisor do Coritiba, em 85, para mim foi tão importante?, afirma.

O apelido de Feiticeiro, Hélio Alves lembra bem onde surgiu. ?Isso é coisa da Tribuna. Foi o Albenir Amatuzzi (ex-editor de esportes) que inventou, após alguma das vitórias impossíveis que eu conquistei?, relembra.

Compromisso – O livro O Feiticeiro do Futebol – A Trajetória de Hélio Alves, de autoria de Carneiro Neto, será lançado hoje. A festa será na loja da Boca Maldita das Livrarias Curitiba, a partir das 17h.