Ímola – Um erro, ou uma pane no sistema hidráulico de direção. Depois do polêmico artigo escrito por Damon Hill nesta semana no jornal The Times, novas luzes começam a ser jogadas sobre as causas do acidente que matou Ayrton Senna no GP de San Marino de 1994, em Imola. O piloto inglês, companheiro do brasileiro na Williams, é o primeiro a vir a público para levantar uma hipótese até então descartada “a priori”, a de que Ayrton pudesse ter cometido um erro de pilotagem que o levou ao muro da Tamburello na abertura da sexta volta da corrida.

Hill acha que a temperatura dos pneus era baixa demais na relargada do GP, já que o pelotão ficou quase cinco voltas atrás do safety-car, novidade do regulamento que estava sendo usada pela primeira vez na temporada. O carro era lento para os padrões da F-1. “Só eu e Ayrton sabíamos com precisão o que era guiar aquele carro, naquela curva, naquele dia, naquela pista, com pneus frios”, disse o campeão mundial de 1996.

Damon falou também que Senna levantou a questão na reunião dos pilotos antes da corrida, na manhã de domingo. “Ele tinha a opção de não correr, só ele poderia fazer isso, e infelizmente tomou a decisão errada. Estou convencido de que Ayrton cometeu um erro, como outros que cometeu em sua carreira”, afirmou, acrescentando que a quebra da coluna de direção, tese mais aceita até hoje e defendida pela perícia que analisou o acidente, é algo improvável. “Não é culpa de ninguém se ele manteve o pé embaixo no acelerador quando deveria ter levantado um pouco.”

O ex-piloto da Williams insinua também, num trecho do artigo que não mereceu muita atenção dos especialistas num primeiro momento, que o sistema de direção hidráulica do FW16 pode ter tido uma pane. “Pouca gente sabe que tínhamos esse sistema, para facilitar a pilotagem. Tanto que quando a prova recomeçou, eu tive de desligá-lo por recomendação e segurança dos meus engenheiros, que não sabiam direito o que tinha acontecido no acidente.”

O fato de Hill ter corrido até o fim ? terminou em sexto e fez a melhor volta da prova ? é outro indicativo de que a própria equipe, na hora, tinha informações suficientes para descartar uma quebra ou outro tipo de problema mecânico. Qualquer suspeita nesse sentido levaria a um chamado de Damon para os boxes, diante do risco de um problema semelhante acontecer em seu carro. “Mas fui até o final e fiquei meia hora no centro médico para me recuperar das dores que sentia, porque foi difícil guiar com o volante pesado daquele jeito.”

Hill elogia Senna, “um grande piloto e um cara com enorme senso de humanidade”, mas diz que “era conhecido por ir sempre ao limite ou além dele”. “Ele não era um deus e era vulnerável como qualquer um de nós, por algum motivo pessoal, achava que arriscar sua vida era uma prova de sua integridade. Ele preferia bater nos seus adversários a ser derrotado por eles.”