Os associados do Paraná Clube definem hoje, nas urnas, o futuro do clube para o próximo biênio. As chapas Revolução Paranista e Coração Paranista disputam a preferência dos quase seis mil sócios (entre pagantes e remidos) com direito a voto.

A tendência é que não mais de mil sócios compareçam ao pleito, que tem início às 10h, na sede da Kennedy. Entre promessas de novos rumos para o futebol e inovações sociais, os candidatos reconhecem uma prioridade: recolocar o Tricolor na Série A.

O grande problema é como tornar realidade esse sonho, que nos dois últimos anos teve contornos de pesadelo. Aquilino Romani, candidato à presidência pela Revolução, sobre esse ponto, apresenta algumas alternativas, que passam pelo fortalecimento das categorias de base e pelo aporte financeiro de um grupo de marketing liderado por Renato Trombini.

Tudo isso gerido por Aramis Tissot. O primeiro presidente da história do clube foi quem lançou o projeto da chapa, mas optou por ficar apenas à frente do futebol, numa composição com integrantes da situação.

Foi neste ponto que surgiu Aquilino Romani, como candidato de consenso. Empresário do ramo de agronegócios, ele está radicado em Curitiba desde 1982. Nos últimos seis anos, teve participação ativa na vida do Paraná, à frente dos esportes de quadra e hoje na condição de 2.º vice presidente.

“Num primeiro momento, não pretendia sair candidato agora. Mas, houve um apelo neste sentido e, como recebi apoio da maioria dos ex-presidentes, decidi encarar esse desafio”, disse Romani. “Meu grande projeto é fazer uma gestão que marque pela união. Quero todos os verdadeiros paranistas trabalhando junto com a gente”.

Nesse processo de “união”, Aquilino Romani até tentou convencer o candidato da oposição, José Alves Machado, a abrir mão de sua candidatura. “Já havia preparado meu material de campanha. Não tinha como voltar atrás”, afirma Machado, que ao contrário de Romani ainda não tem um projeto mais claro para o Paraná Clube.

“No futebol, o momento é complicado. Esta área seria gerida pelo meu vice, Pedro Oliveira. Queremos a permanência do Roberto Cavalo, mas quanto a jogadores só dá pra falar algo depois que a gente tiver acesso a real situação deste departamento”, justificou o líder da Coração Paranista.

Os dois candidatos reconhecem que independente de aporte financeiro, o Paraná não poderá caminhar sem parcerias. “O problema da parceria é administrar interesses. É preciso habilidade para tratar com as pessoas”, frisou José Machado.

Já Aquilino Romani entende que ultimamente a palavra “parceria” virou uma espécie de tabu por conta dos resultados ruins na Série B. “Recentemente, fomos à Libertadores com os mesmos parceiros. Então, não vejo problema nisso. Todos os clubes trabalham dessa forma e os questionamentos só surgem quando os resultados de campo deixam a desejar”, destacou.

Para ele, independente desses acordos com empresários, o Paraná deve dar uma atenção especial às categorias de base. Falando a mesma língua do grupo que hoje comanda esta área do clube, Romani espera que em 2011 o Paraná tenha 50% de seu elenco “fabricado” em casa.

“Tenho sido um crítico quanto aos resultados recentes de nossas equipes de base. Mas, sei que há bons jogadores lá e que logo serão promovidos ao grupo principal”, disse.

Com maior ligação ao setor social do clube, os dois candidatos falam na busca por um crescimento no quadro associativo. Machado, porém, dá poucas pistas sobre planos que diz possuir para a revitalização das sedes do clube (chegou a citar uma parceria para a construção de uma churrascaria na Kennedy).

Já Romani tem ideias mais concretas s,obre o tema. O primeiro grande projeto seria a construção de um novo complexo na Kennedy, com estacionamento e quadras de grama sintética. Para isso, segundo ele, o clube já teria até investidor, faltando apenas a aprovação da prefeitura.

Independente do resultado das urnas, onde na teoria Aquilino Romani é grande favorito, a partir de amanhã o clube poderá começar a se organizar para 2010. A posse do novo conselho diretor ocorrerá, como de praxe, em janeiro. Mas, o trabalho terá início imediatamente.

A partir de amanhã, o Paraná conhecerá o nono comandante do clube. E um fato chama a atenção, após “dobradinhas” de Ênio Ribeiro (2000 a 2003) e José Carlos de Miranda (2004 a 2007 mas, saindo antes do fim de seu mandato), o clube não terá o candidato da situação buscando a reeleição. Aurival Correia integra a chapa de Aquilino Romani, voltando ao comando da área administrativa e financeira.