“O futebol me proporciona momentos incríveis. É o sorriso da criança quando encontra o ídolo ou vê o campo de futebol pela primeira vez, é o choro do homem quando conhece o ídolo de infância e ele se torna criança de novo, é quando você se vê sentada à mesa com pessoas que fizeram história dentro dos gramados, é quando você perde noites de sono trabalhando em algo que acredita. O futebol não é glamour, mas é mágico. E a luta por resgatar o que o futebol tem de melhor e potencializar o seu poder de transformação social pode ser surpreendente”.

A declaração da jornalista Priscila Ulbrich, 40, atuante no mundo futebolístico há quase 20 anos, é capaz de expressar o sentimento de muitas mulheres apaixonadas pelo esporte da bola nos pés. Para muitas, o futebol é alegria, é amor, é explosão, é sangue que corre nas veias e que faz o coração pulsar.

Visto por muito tempo como esporte exclusivo para ser visto e praticado por homens, o jogo foi, inclusive, proibido para as mulheres no Brasil, conforme o Decreto-Lei 3.199 do Conselho Nacional de Desportos (CND), de 1941. Os times que descumprissem o regulamento poderiam ser punidos.

“Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o CND baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”.

Uma pesquisa realizada pela historiadora Aira Bonfim e publicado no site Dibradoras, revelou manchetes nos veículos de comunicação nas décadas de 1940, 50, 60 e 70, que argumentavam contra a participação das mulheres do gramado. Até Pelé, na época, se pronunciou contra.

“O futebol é impróprio para moças” – O Dia. Curitiba, 26 de Junho de 1940.

“(…) é um esporte violento capaz de alterar o equilíbrio endócrino da mulher” – Dr. Leite de Castro, O Dia Esportivo. Curitiba, 26 de Junho de 1940.

“A mulher esportiva cem por cento, a campeã, além de não ter uma saúde excepcional, a sua plástica muito fica a desejar.” – Dr. Leite de Castro, O Dia Esportivo. Curitiba, 26 de Junho de 1940.

“(…) as mulheres têm ossos mais frágeis; menor massa muscular; bacia oblíqua; tronco mais longo e por isso menos resistente; centro de gravidade mais baixo, coração menor; menos número de glóbulos vermelhos; respiração menos apropriada a esportes pesados; menor resistência nervosa e de adaptação orgânica.” – Folha de São Paulo, 16 de Julho de 1961.

“Apitar jogo de futebol não é profissão de mulher” – Placar. São Paulo, 20 de agosto de 1971.

“O futebol feminino não poderia ser permitido no clube, uma vez que se trata de esporte muito violento para o sexo frágil.” (MULLER, Zeino. Diretor de associação esportiva em Munique). Estado de S. Paulo, 21 de outubro de 1973.

“Pode ser um passatempo, mas não um verdadeiro esporte para mulheres.” – Pelé – Folha de São Paulo. São Paulo, 29 de janeiro de 1979.

A questão principal, entretanto, está na biologia e não no machismo.” João Saldanha – Placar. São Paulo, 14 de janeiro de 1979.

Décadas depois, esses argumentos caíram por terra e as mulheres garantiram seu lugar nos espaços esportivos, antes exclusivos dos homens. Ainda que estejam longe de serem tratadas com igualdade, é notório que já ocupam lugares nunca antes alcançados. Sejam como torcedoras, como jogadoras, comentaristas ou na arbitragem, elas agora têm vez e voz no futebol.

E, afinal, o que as mulheres querem quando inseridas no mundo do futebol? Simples. Não serem vistas apenas como visitantes nos estádios, não querem ser consideradas apenas um rostinho bonito, não esperam serem deixadas de lados nas decisões importantes do clube. Elas desejam se sentir parte do time que torcem, querem representatividade na arquibancada, querem estar dentro de campo, querem estar fora dele também, querem estar nos bastidores, enfim, querem fazer parte do universo futebolístico de forma natural.

Para contar nesse dia internacional da mulher a história de mulheres que fazem a diferença no futebol, a Tribuna do Paraná traçou o perfil de sete mulheres que têm no esporte a paixão de viver.

Confira o especial nos links a seguir:

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