Holanda e Costa Rica entram em campo neste sábado, às 17 horas, na Arena Fonte Nova, em Salvador, com obrigações distintas nesta fase de quartas de final da Copa do Mundo. De zebra a sensação na fase de grupos, os atuais vice-campeões agora encaram o peso do favoritismo absoluto contra uma rival que era candidata a saco de pancadas, se transformou em uma especialista em derrubar favoritos e agora tenta escrever um novo capítulo na fantástica trajetória que a transformou em queridinha da torcida.

Para a Holanda, a partida, além de definir se continua no Mundial ou volta para casa, representa mais um capítulo do confronto entre o treinador Louis van Gaal e os holandeses que o acusam de, com um time cheio de zagueiros e volantes, desvirtuar a clássica tradição ofensiva da seleção laranja.

A Holanda desta Copa do Mundo é uma seleção contraditória. Mesmo com pelo menos nove jogadores encarregados de marcar e desarmar, é a mais agressiva dos 32 times desta competição, com 12 gols. Van Gaal montou um sistema que concilia defesa fechada e ataque artilheiro. Não é todo mundo que consegue. Não é toda seleção que joga assim.

O contra-ataque é a arma mais eficiente da seleção holandesa, exaustivamente treinado. Mas não a única. Van Gaal soube montar uma estratégia vitoriosa na virada (2 a 1) contra o México, pelas oitavas de final. Precisava reverter o placar, lutou até o fim e conseguiu a vitória, com quatro atacantes fixos na frente. Após a partida, Van Gaal chamou de “plano B” a tática empregada na maior parte do segundo tempo.

Na entrevista promovida pela Fifa nesta sexta-feira, o treinador disse que a campanha holandesa tem sido ótima, mas que nada terá importância se a equipe não passar pela Costa Rica, a quem equiparou às seleções do Chile e do México, ambas derrotadas pela Holanda neste Mundial. “Tudo o que aconteceu até agora é fantástico. Mas nossa meta sempre foi ganhar esta Copa. Somos uma equipe difícil de ser derrotada, eu sempre disse isso. Espero que mantenhamos assim até a final”, afirmou.

O treinador recusou-se a anunciar a escalação do time e o esquema que empregará. A dúvida é quanto ao substituto do volante Nigel de Jong, fora da Copa por causa de uma lesão muscular na virilha. Os favoritos são o volante Jonathan de Guzman e o zagueiro Martins Indi.

TRANQUILIDADE – Se sobre os ombros holandeses recai todo peso do favoritismo, a Costa Rica pode se dar ao luxo de entrar em campo sem maiores responsabilidades. Passar para a semifinal evidentemente é o sonho de todo grupo, mas o time sabe que a história já foi escrita no Brasil e o que vier agora é lucro.

É justamente aí que aparece o trunfo que pode levar a surpreendente equipe a mais um feito; jogar sem pressão é a aposta para que a Costa Rica entre em campo mais relaxada e, desta forma, jogue melhor. “Queimamos etapas e passamos por momentos difíceis. Isso nos deu muita confiança”, exaltou o técnico Jorge Luis Pinto.

Ao menos no discurso, a promessa é de um time ofensivo. “Respeitamos demais o brilhante time da Holanda, mas também iremos atacar”, disse o treinador colombiano. O grupo acredita que o favoritismo holandês ficará apenas no papel. “Será um jogo difícil para os dois”, projetou o zagueiro Acosta. A tendência, no entanto, é que a equipe aposte novamente em um meio de campo povoado para dificultar as ações do adversário.