Valquir Aureliano
Renato Follador brilhou entre as décadas de 40 e 50 e hoje vibra com os gols do neto, Luiz Filipe, na Itália.

Enquanto a equipe se prepara para enfrentar a Portuguesa, o Coritiba homenageia um dos grandes atacantes de sua história. Artilheiro e supercampeão entre as décadas de 40 e 50, Renato Follador barbarizava com a camisa alviverde e encarava de igual para igual as defesas dos grandes rivais Atlético e Ferroviário. Engenheiro agrônomo, acabou abandonando os gramados logo aos 26 anos para seguir uma carreira mais promissora naquela época, mas continuou no Alto da Glória como dirigente e como pai de Paulinho e Renatinho, que também atuaram no Coxa. Hoje, às 20h, eles serão o centro das atenções do encontro mensal que acontece no Restaurante Cascatinha (convites custam R$ 20) ao lado também da terceira geração representada por Luiz Filipe, que não decolou nos gramados, mas brilha no futsal italiano.

Tribuna – Conte um pouco como foi essa passagem pelo Coritiba, entre 1949 e 1956.

Renato – Fui muito feliz porque fomos campeões em 1951, 1952, 1954 e 1956, que foi o último ano em que joguei. Depois, como estudava e a formação universitária rendia mais que o futebol, fui fazer especialização nos Estados Unidos e, ao voltar, assumi o departamento técnico do Serviço de Extensão Rural do Paraná e tive que deixar o futebol.

Tribuna – Como o senhor começou no Coritiba?

Renato – Eu comecei no Juventus e, aos 16 anos, fiz meu primeiro jogo no time principal. Joguei entre 1947 e 1949, quando fui para o Coritiba.

Tribuna – Muitos gols?

Renato – Fazia. Um ano, se não me engano, fui artilheiro do Coritiba e fazia bastante gols.

Tribuna – O futebol era muito diferente?

Renato – Todo mundo jogava por amor à camisa e eu tive uma coisa interessante na minha família. Quando comecei a me projetar no Juventus, no lado de minha mãe, familiares que eram atleticanos como uma prima casada com o Caju e era primo do Cecatto e Cecattinho. Do lado do meu pai, meu tio era lateral-esquerdo do Ferroviário, o Alfeu. Os dois lados da família começaram a insistir para eu jogar no time deles, e para não ter encrenca na família fui jogar no Coritiba.

Tribuna – E como era encarar o Furacão naquela época?

Renato – Era difícil, como sempre foi o Ferroviário e o Furacão. Era um jogo muito disputado. Ainda peguei o Caju em fim de carreira e sempre fazia gols nele.

Tribuna – Depois, o senhor viu os filhos atuando pelo Coxa.

Renato – Foi uma continuidade. Comecei a fazer parte da diretoria e, quando deixei o departamento de futebol, fiquei apenas como conselheiro do clube. Naquela época era tranqüilo, não havia muitos contrastes de opinião com o Arion Cornelsen e o Evangelino da Costa Neves como presidentes.

Tribuna – Com tudo isso, o senhor será homenageado pelo clube.

Renato – Não sei como vai ser, vamos esperar. É uma homenagem para a minha família, os filhos que jogaram lá também. Fiquei muito satisfeito com a lembrança, claro.

Time só será definido hoje

O técnico René Simões confirma hoje pela manhã a equipe do Coritiba para enfrentar a Portuguesa. O goleiro Vanderlei e o atacante Keirrison são as grandes novidades para o confronto das 20h30 de amanhã no Canindé. Eles entrarão nos lugares de Edson Bastos, suspenso, e Gustavo, machucado na coxa direita. Após o treinamento programado para o Couto Pereira, a delegação almoça e segue viagem para São Paulo.

Na terceira colocação da Segundona, o Alviverde precisa da vitória ou um empate para continuar figurando no G4. No entanto, a equipe quer buscar os três pontos para quebrar o tabu de ser apenas um time de pijama. Há dois meses, o Coritiba não consegue uma vitória longe do Alto da Glória. Se não der contra a Lusa, tem o Marília, no sábado. Por isso, após o confronto de amanhã, a delegação segue direto para o interior paulista já na quarta-feira e só retorna para Curitiba no domingo.