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Cesar Santos e Fabiano Santos,
o Binho, vão entrar na Justiça.

A saída dos jogadores Taffarel e Rincón do Império do Futebol não tem a ver com negociações para o exterior. Quem garante é o zagueiro César, que defendeu o clube no ano passado, na campanha da Série Prata. Sem receber por sete meses, ele e o companheiro de equipe Binho, que já defendeu o Malutrom, deram uma entrevista a O Estado, confirmando o porquê da alta rotatividade de atletas no "clube". A agremiação comandada pelo empresário Aurélio Almeida já é considerado um clube cigano, por não se fixar em nenhuma cidade. O motivo é o mesmo que faz os jogadores se desligarem a toda hora: promessas não cumpridas de Almeida.

"Ele tem muita lábia para convencer os jogadores. Mas na hora de colocar a mão no bolso, mostra quem realmente é", dispara o zagueiro César. Ele assinou contrato com o Império – na época Império Toledo – em maio do ano passado. "Cheguei com a eterna promessa dele: ir jogar no México", diz César. Entretanto, a promessa foi se quebrando aos poucos. "A estrutura do clube era ruim. Para se ter uma idéia, em dia de geada, a gente treinava de camiseta. Eram trinta jogadores numa concentração com dois chuveiros elétricos. Logo eles estavam queimados, em pleno inverno", diz César. Binho, que chegou na metade da disputa da Série Prata, emenda. "Se o jogador ficasse doente, tinha que comprar o próprio remédio. Mas nem tinha como fazer isso, já que ninguém recebia salário. Quando a gente ia jogar, viajava no mesmo dia, pois ele não tinha como pagar concentração em hotel."

Com tantas situações adversas, por que os jogadores continuaram no clube e ajudaram a levá-lo à Série Ouro? Segundo os atletas, Almeida usou mais uma vez a lábia para manter o plantel. "Ele garantiu que quem ficasse receberia o que era devido, com direito à premiação se subíssemos. Além disso, no meio da temporada, não arranjaríamos outro clube", diz César. Pior que isso, para alguns atletas ele garantiu que já havia mantido excelentes contatos com o exterior. "Ficava aquela pontinha de esperança de dias melhores. Mas tudo não passou de ilusão", lamenta Binho.

Quando "a ficha caiu" e os dois perceberam que não iriam receber, decidiram partir para a Justiça Trabalhista, vencendo o receio de represálias. "A questão não é temê-lo, mas ser prejudicado por outros dirigentes, que possam encarar a ação como ato de rebeldia. Na verdade, só o que queremos é receber o que nos é de direito", diz César.

Com o ato, os dois esperam que mais atletas se encoragem e lutem pelos seus direitos, forçando Almeida a saldar suas dívidas. "Ele saiu de Toledo devendo até para comerciantes locais. Mas dos 30 atletas, só quatro entraram com uma ação. Espero que agora todos tomem coragem para cobrar justiça. Pois o futebol paranaense é grande e não pode ter um clube com tanta coisa errada entrando em campo."

Coincidência ou não, além da deserção de alguns atletas, deixou o clube esta semana o diretor-técnico Waldyr Perez, que marcou história no gol da seleção brasileira na Copa de 1982.

Por enquanto, clube tem tudo regular junto à FPF

Enquanto começa a ser acionado na Justiça do Trabalho, Aurélio Almeida tenta manter o Império do Futebol na disputa do estadual. Mesmo com alguns jogadores deixando o elenco, ele continua locando o campo anexo ao Pinheirão, pertencente à Federação Paranaense de Futebol, para os treinamentos. Segundo informações da FPF, ao menos os valores determinados para a utilização das dependências estão sendo pagos. Mesmo assim, há a informação nos bastidores que os atletas precisam ir à sede da torcida Fúria Independente, que fica no Pinheirão, para tomar água.

O presidente do Paraná Clube, professor Miranda, também assegura que pelo menos o valor do primeiro aluguel do Estádio Érton Coelho de Queiroz, onde o Império manda seus jogos, foi pago. "Assinamos um contrato que prevê o pagamento adiantado, no valor de R$ 5 mil, com a FPF como fiadora. Eles só jogam se pagam antes do jogo", afirmou Miranda.

O Procon deu dez dias à FPF para repassar o endereço do clube, para que ele seja notificado, sobre as falhas no cumprimento do Estatuto do Torcedor, verificadas pelo órgão no primeiro jogo da equipe no paranaense, contra o Atlético.

O presidente do Império, Aurélio Almeida, foi procurado por O Estado para falar sobre a situação do clube, mas não atendeu o celular.