Porsche mostra ser um
carro quase imbatível.

Quando se consegue unir no automobilismo, numa mesma equipe, pilotos velozes e experientes para conduzir um carro igualmente rápido e resistente, o resultado em geral é a vitória. Essa foi a receita do conjunto que venceu, ontem, a 31.ª edição das Mil Milhas, formado pelo “senhor bandeirada” Ingo Hoffmann (12 vezes campeão da Stock Car), Xandy Negrão, Ricardo Etchenique e Fernando Nabuco, com um Porsche modelo GT3. O quarteto dominou as 374 voltas da corrida, que começou pouco depois da meia-noite, em Interlagos, e terminou doze horas, 20 segundos e 51 centésimos depois.

Foi a terceira vitória seguida dos modelos Porsche e desta vez com vantagem significativa para o segundo colocado: 5 voltas. “Em alguns momentos eu me sentia como no tempo de moleque, costurando os carros na rua”, disse Hoffmann, referindo-se à diferença de velocidade entre seu GT3 e muitos adversários. Nada menos de 64 carros largaram. “O circuito de Interlagos ganhou várias chicanas móveis”, falou rindo. Seu companheiro, Xandy Negrão, disse não ter enfrentado nenhuma dificuldade ao longo das 12 horas de corrida. “Fizemos as paradas previstas e não nos envolvemos em nenhum acidente.” Falta de regularidade não faltou também ao grupo formado pelos pilotos Vitor Meira, da Indy-IRL, Rogério e Antônio Vilas Boas e José Alexandre, segundo na prova. Com um protótipo construído pela eficiente equipe de Amir Nasr, equipado com motor Opel, eles foram a surpresa da 31.ª Mil Milhas, repetindo assim o desempenho dos 1000 Quilômetros de Brasília no ano passado. “Chegar já seria um prêmio, mas conseguimos mais do que isso”, afirmou Meira.

Não fosse um problema em um dos reabastecimentos, Raul Boesel, Ricardo Maurício e Paulo Bonifácio, com outro Porsche GT3, teria lutado pela vitória com o time de Hoffmann. A explicação é de Boesel. A escuderia, vencedora ano passado, classificou-se em terceiro, seis voltas atrás do primeiro colocado. “Eu tive um duelo emocionante com o Ingo Hoffmann, mas também houve a disputa entre o Ricardo Maurício com o Xandy Negrão e o Paulo Bonifácio com o Ricardo Etchenique”, lembrou Boesel.

Como prova de que o Porsche GT3 é um dos melhores carros para corridas longas, o conjunto de Beto Giorgi, Alcides Diniz, Totó Porto e Ronaldo Ferreira chegou, com ele, ao quarto lugar, enquanto os italianos Stefano Zonca, Ettore Bonalti, Diego Alessi e Franco Mondino, com BMW, ficaram em quinto.