Porto Alegre, 18 de setembro de 2019. Tudo indica que será um dia nublado, até com chuva, de temperatura baixa. Sabemos bem como é isso. Mas, vamos reconhecer, ainda não sabemos direito como é essa história de ver um time paranaense campeão da Copa do Brasil. A quarta chance, e a mais real até agora, é hoje, às 21h30, no Beira-Rio, com o Athletico jogando pelo empate contra o Internacional para conquistar a taça pela primeira vez. O jogo terá transmissão da RPC no Paraná e do SporTV para todo o País.

Todo mundo sabe de cor, mas não custa repetir: por ter vencido o jogo de ida, semana passada, na Arena da Baixada, por 1×0, o Furacão joga pelo empate – e pela vitória, claro. Uma vitória colorada por um gol de diferença leva a decisão para os pênaltis, e triunfos gaúchos por dois ou mais gols de vantagem dão o título. A conta é simples, somar o resultado de Curitiba com o de Porto Alegre; quem tiver mais gols, leva.

E, apesar de curta (só sete jogos), a campanha do Athletico foi repleta de desafios. Do primeiro jogo, lá em Fortaleza, contra o então time de Rogério Ceni, até a chegada caótica de ontem na capital do Rio Grande do Sul, com atraso de voo, aeroporto fechado, time preso no avião e tudo mais. Os torcedores sempre dizem que “se não for sofrido, não é Athletico”, mas a história foi pra testar o coração dos desavisados.

Campanha

Nas oitavas de final, a classificação diante do Fortaleza só veio no finalzinho do jogo da volta, num gol salvador de Marco Ruben. Nas quartas, aquela noite no Maracanã, calando 65 mil torcedores e ganhando nos pênaltis. Diante do Grêmio, a derrota sofrida aqui mesmo em Porto Alegre e a vitória histórica na Baixada. E, na ida da decisão, a vitória magra mas que representa uma vantagem importante.

Pra ser campeão, tem que saber encarar os desafios – e eles aparecem de onde menos se espera. Mas há uma razão muito maior para seguir na vida. Para o Internacional, é a hora de uma conquista que reafirmaria o clube, que mudaria o patamar de Odair Hellmann, que encerraria um jejum de 27 anos sem títulos nacionais. Faria de D’Alessandro um mito vestido de vermelho. Mas e para o Athletico?

Vale muito, vale uma taça que o futebol paranaense nunca levantou. Vale os 52 milhões de reais da competição mais valorizada do País. Mas vale mais.

Personagens

O título da Copa do Brasil representa muito para milhares de torcedores que vieram para Porto Alegre sem ter a certeza do ingresso. Para aqueles que não viajaram e estarão ligados na TV. Para Lucho González, que no anoitecer da carreira pode levantar mais um troféu. Para Thiago Heleno e Camacho, que não podem jogar porque estão suspensos. Para o massagista Bolinha, uma entidade rubro-negra que comemorou 60 anos de vida. Para onze (catorze, tá certo) atletas que entrarão em campo podendo entrar para a história.

E para Tiago Nunes, que no momento mais importante da carreira teve uma explosão de humanidade ao dizer que está cansado e que o futebol exige muito. Cada carreira tem seu ônus e seu bônus, e o treinador também passa por seus momentos difíceis. No homem, que tem que abrir mão da família e da saúde para liderar um grupo até a glória, está o grande personagem desta noite no Beira-Rio. Tiago chegará no estádio como o técnico do Athletico, mas pode sair dele como um dos nomes mais importantes da história do clube. Faltam 90 e poucos minutos. E basta um empate.

Ficha técnica

COPA DO BRASIL
Final – jogo de volta

INTERNACIONAL x ATHLETICO

Internacional
Marcelo Lomba; Bruno, Rodrigo Moledo, Victor Cuesta e Uendel; Rodrigo Lindoso, Edenílson, Patrick e D’Alessandro; Nico López e Guerrero.
Técnico: Odair Hellmann

Athletico
Santos; Khellven, Léo Pereira, Robson Bambu e Márcio Azevedo; Wellington, Léo Cittadini e Bruno Guimarães; Nikão, Rony e Marco Ruben.
Técnico: Tiago Nunes

Local: Beira-Rio (Porto Alegre-RS)
Horário: 21h30
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (Fifa-GO)
Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho (Fifa-SP) e Bruno Raphael Pires (Fifa-GO)
VAR: Bráulio da Silva Machado (Fifa-SC)

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